sábado, abril 28, 2007

Cântico à Virgem do Pranto

A música e letra do cântico em honra de Nossa Senhora do Pranto que agora publico, não são profissionais. Eu própria as criei e não tenho formação musical nem em texto poético.
É uma melodia simples, tão modesta como o é a letra também. Todavia, na minha opinião, adapta-se à imagem de gesto triste, humilde e frágil desta Senhora.
É possível que não tenha grande interesse para alguns dos visitantes e colaboradores do blog. Porém, este cântico tem para mim um significado especial: acho-o autêntico e espontâneo porque surgiu de um impulso natural de uma necessidade de o realizar. Entendo-o e vejo-o como um acto oracional, no qual me envolvi a sério e outros como eu, se envolveram também.
Ao falar da envolvência de outros refiro-me ao grupo coral da Igreja Paroquial de Santa Maria de Agualva, a quem agradeço uma vez mais pela sua interpretação (vozes e instrumental).
No dizer do responsável deste grupo (o Ricardo), a gravação não está em perfeitas condições, devendo-se isso ao facto do reduzidíssimo tempo que houve (um dia apenas), para aprender a letra, ensaiar e gravar.

Nota: Esta música é dedicada em primeiro lugar à minha mãe, que me estimulou com a sua visível satisfação e aprovação quando a ouvia, às minhas irmãs Alzira e Alda Cristina que cantaram comigo na 1ª gravação e ao grupo coral que fez o trabalho definitivo que agora apresento. Dedico-a também aos meus conterrâneos, aos amigos da Póvoa e finalmente aos visitantes deste blog.
Para todos um abraço.

Celeste Gonçalinho Oliveira Duarte
Oiça aqui o poema
Veja aqui algumas fotos

quarta-feira, abril 25, 2007

Laureados ( por Zé Macário)

Tive ocasião e o prazer de, logo no inicio da minha participação no bloog, homenagear em vários escritos, pessoas simples da Póvoa, que influíram no meu crescimento, e que libertando-se da lei da morte, merecem serem lembrados entre os vivos. É no prazer das coisas simples da vida, que se vê a grandiosidade dos homens, que, por actos valorosos se vão da lei da morte libertando.
Foi tal o prazer nessas homenagens a pessoas idas, quanto o desprazer de imaginar homenageados aqueles de cuja vida, que se saiba, ninguém beneficiou.
Estes – que por vezes, nem na morte foram acompanhados – tendo vivido mortos ou nulos, não podem libertar-se nem nos é legitimo que os libertemos da lei da morte, até por configurar um acto de grande injustiça em relação aos outros.
Como de costume, no 25 de Abril e já perto do 10 de Junho, cá virá a procissão dos condecorados e comendadores – alguns valorosos entre tantos nulos…
Alguns mesmo, deixando atrás de si esteiras de vítimas exploradas.
Enfim, foge cão, foge cão, que fazem varão! Para onde? Para onde, se me fazem conde?!
Também no que diz respeito às coisas e gentes da Póvoa, me parece não devermos fazer promoções ou louvaminhas exageradas àquilo que nos parece menos merecedor. E neste particular, revejo-me muito num artigo de um anónimo que realço pelo conteúdo, entre outros seus de que mais gostei e invejo, pela singeleza e beleza da construção literária. Absoluto amante da vida, não posso ver em qualquer outra criatura um mérito maior, do que o dos nossos pais ou avós, que audaciosamente operaram o feito valoroso de nos parirem, criarem e educarem – sem a rendição à tentação do aborto – apesar das dificuldades com que o fizeram, afrontando, na nau das tormentas o mar revolto, que era a vida do seu tempo.
Não apoiarei portanto a promoção da imagem de alguém que, de si ou de seu, nada dera aos seus ou à sociedade. Não tenho nada contra quem o queira fazer – cada um sabe das suas razões – mas, também eu não darei nada para esse peditório.
Porém àqueles simples, que por “simples” actos valorosos, se vão da lei da morte libertando, também eu louvarei por toda a parte, se a tanto me ajudar o engenho e a arte.

Nova Apresentação


Na esperança de uma boa receptividade, também hoje resolvemos dar uma cor diferente ao nosso blog, a cor da esperança.
Esperamos de todos a continuação da vossa colaboração

O primeiro Marquês de Povoalva


Em finais dos anos trinta, chegou a terras D`El-Rei um anónimo cidadão com o fito de aí se fixar e fundar o seu império sentimental. Não se apresentava montado em garanhão de alta escola conduzido por esporas de ouro ou de prata, mas sim a pé, de tamancos coçados e desajeitados. Portanto, nada que fizesse lembrar qualquer personagem dos clássicos da literatura universal. Quando se passeava pelo terceiro dos seus povoados, travou conhecimento com Dona Margueritta, senhora de fino trato, filha do terceiro conde de Gonçalvinhos e da duquesa de D`Oliva. Decorrido algum tempo, depois de alguns contactos e de algumas peripécias pelo meio, o anónimo cidadão lá se enamorou pela dita senhora e adivinhava-se o casamento próximo. Não obstante o título nobilárquico, esta família não era tão abastada quanto isso. Por sua vez, a D. Vasco, assim se chamava o cidadão, nada restava que não fosse um espírito de guerreiro ganho à custa de umas quantas batalhas que havia travado noutras paragens. Tais limitações não seriam, no entanto, impeditivas de satisfazer as duas vontades num enlace matrimonial e disso mesmo deram conhecimento à família da nobre senhora, tendo, de seguida, acontecido o tradicional pedido de mão. Tanto o conde quanto a duquesa deram o seu assentimento, tendo para o efeito, estabelecido que Dona Margueritta receberia, em forma de dote, o empréstimo de uma casa para habitação, um pequeno trem de cozinha, algumas terras de renda e umas quantas alfaias agrícolas. Quanto a D. Vasco, este propôs-se arranjar uns quantos quilos de sementes, das quais constava uma arroba de batatas, promessa de um abastado compadre. Desta forma, deram cumprimento aos seus desejos, iniciando o seu noivado e tendo vindo a casar, uns meses mais tarde, com a bênção do cardeal Cartabranca, primeiro irmão da nubente.
Pareciam, assim, estar reunidas as condições mínimas para se estabelecerem, desenvolverem e serem felizes. Todavia, não tardou que tal cidadão revelasse uma personalidade multifacetada, expressa em atitudes rudes, ar austero e ambições pessoais incontidas, contrastando com o fino trato da senhora, o que originou uma vida de conflito permanente ao ponto de, em momentos vários, este lamentar o facto de não haver consumado algumas das suas antigas paixões: Dona Sujelia, condessa de Quintelais e, mais tarde, D. Viuvelina, prima em segundo grau de D. Margueritta.
Além dos atributos atrás referidos, este “ilustre” cidadão possuía um indisfarçável culto de auto-imagem, alicerçada na aceitação que lhe era dada pela sua expressão fácil, ar generoso e capacidades de intervenção e liderança, tendo-se tornado, até, juiz e conselheiro. Por tal motivo, adquiriu um estatuto tal que, em Assembleia Magna do Povo, lhe foi atribuído o título de primeiro Marquês de Povoalva a que foi acrescido, mais tarde, o de Aquém e Além-Rio e Terras Circunvizinhas. Por essas alturas já se movimentava em elegantes jumentas, encasacadas com o mais fino tecido da Cordoaria Nacional. Para que este suado título se perpetuasse e contrariando todas as tradições da nobreza, delegou no segundo dos seus três filhos a missão de levar a cabo tal tarefa. Para o efeito, tratou de o educar segundo as boas regras e de o proteger de todos os males da natureza: do sol, do frio, da chuva e até das trovoadas. Tal tratamento diferenciado viria a produzir os seus efeitos, tendo sido atribuído a este “principesco” jovem o grau de “Intocável”, pela Academia Superior da Opinião Pública. Entretanto, os dias do marquês iam chegando ao fim e aquilo por que tanto havia lutado ia-se esfumando, numa espécie de neblina matinal que precede um novo dia.
Partiu o marquês e a vida continuou para uns e renasceu para outros, sem títulos ou honrarias, mas com a marca indelével do tempo de outros tempos.
(Sinopse dos capítulos I e V do livro “Venturas e desventuras de um renegado”)
Ass: Anónimo

segunda-feira, abril 23, 2007

A CORRIDA AO OURO NEGRO



Com este título, demasiado comum, pretendo transportar-vos para uma realidade vivida há umas décadas atrás, por alturas do Verão, aquando da maturação e colheita do centeio, um dos principais produtos agrícolas desta terra e base alimentar da sua população.
Se bem se lembram, os mais velhos, ao mesmo tempo que apascentavam os seus animais nas orlas das vastas searas de centeio, dedicavam-se à apanha do cornelho. Também os crivos das malhadeiras eram vasculhados à procura do mesmo produto. Mas o que era, afinal, e o que tinha ele de tão importante?
Numa breve síntese, tratava-se apenas e tão só de um fungo, de cor negra que surgia em várias espigas de centeio, ligeiramente parecido com um grão alongado. Não se sabia o porquê, mas é verdade que esse produto era vendido a peso de ouro. Lembro-me de na década de sessenta e setenta ser vendido a um preço variável entre os quinhentos e mil escudos o quilo. As pessoas questionavam-se sobre tão exorbitante preço e qual o destino do produto. Falava-se, em surdina, que seria destinado à indústria farmacêutica. Pois bem, não andavam muito longe da verdade os que assim conjecturavam. Talvez para vossa surpresa, posso garantir-vos que o mesmo se destinava ao fabrico da dietilamida de ácido lisérgico, conhecido como LSD, um poderoso alucinógeno, percursor da heroína e da cocaína e com efeitos similares. Afinal, a questão das drogas não é nova! O problema é que não era tão divulgada e o poder de compra dos consumidores era reduzido. Por tal motivo, o seu consumo era limitado às altas esferas das sociedades mundiais. Embora este produto fosse sintetizado em 1943, já no século XVII era usado como terapia para certos males. Este mesmo produto foi ainda muito utilizado na prática abortiva. Quem diria que os que apontam o dedo a outros, por motivos vários, e convictamente votam contra o aborto, fossem esses mesmos, embora indirectamente, a contribuir para tal? Questiono-me se nesses mesmos tempos e a preços tão exorbitantes este conhecimento alteraria a atitude de alguém. Sou daqueles que acreditam que a honestidade e os princípios, se é que os há, dependem apenas da conjugação do trinómio necessidade/ambição/preço. Neste domínio e como reforço deste juízo, recordo o episódio bíblico em que ninguém ousou atirar uma única pedra à conhecida “pecadora”.
Brevemente vos surpreenderei com outro produto idêntico, este da família da “claviceps purpurea” e o outro a revelar.
Anónimo

domingo, abril 22, 2007

O ontem e o hoje


Nunca foi minha ideia vir aqui falar de história, e muito menos trazer para este espaço quaisquer tipos de recordações de guerras, mas aparecem por vezes noticias que nos fazem mudar de ideias.
Provavelmente ainda hoje não estaria aqui a escrever estas linhas, se não tivesse recentemente lido, um artigo de Alexandre Herculano publicado em 1838, com o seguinte teor: “Dentro em pouco os inválidos que lá existem terão de ir mendigar o pão, que a pátria tem obrigação de lhes dar, havendo eles ganho o direito a recebe-lo com o seu sangue, e com os perigos e fadigas da guerra, que só sabem avaliar aqueles que os têm passado
(Referia-se aqui A. Herculano, aos veteranos de guerra que se encontravam no Real Hospital de Veteranos, em Runa.)
Ao ler este artigo, lembrei-me imediatamente de duas coisa:
De dois velhos soldados que tive o prazer de conhecer e que tinham participado na 2ª guerra mundial, e todos os anos compareciam fardados, ostentando as devidas condecorações de guerra, no dia do aniversário da assinatura do Armistício, (11 de Novembro) na Avenida da Liberdade em Lisboa, e do que mais recentemente fora prometido aos ex-combatentes do ultramar.
Se Herculano em 1838, já escrevia aquilo, o que diria ele hoje se cá andasse?
Puderam aqueles dois militares contar com o apoio de um hospital real, (agora, lar) onde viveram os seus últimos dias, de vida devidamente acompanhados e com a assistência que mereciam, porque uma princesa, de nome “ Maria Francisca Benedita Ana Isabel Josefa Lourença Inácia Gertrudes Rita Joana Rosa” que casara com um sobrinho com apenas 15 anos, quando ela já tinha 30, e que após enviuvar, resolveu mandar construir em Runa um hospital, que demorou 35 anos a construir, e ao qual dedicou toda a sua vida e riqueza, em favor dos veteranos de guerra., mas que após a sua morte passou por algumas dificuldades financeiras. E agora? O que tem sido dado aos milhares de ex-combatentes, que continuam a sofrer de graves perturbações, provocadas por uma guerra que não quiseram?
Estes tal como aqueles, também merecem continuar a ser vistos como verdadeiros patriotas. Cumpriram aquilo que a Pátria lhes exigiu. Cumpra a Nação o seu dever de patriotismo para com eles, não os esquecendo, como tenta esquecer, para os deixar impunes, aqueles que tão mal têm feito a este país.
JV

sábado, abril 21, 2007

Avaria na parabólica ( por Zé Macário)

Andava Jesus Cristo cá pela terra, e um dia contou uma parábola mais ou menos do seguinte teor:
- Um dia um administrador, sabendo que iria ser despedido, chamou os indivíduos que deviam dinheiro ao seu senhor, e acertou com eles o registo de uma imensa redução da dívida, lesando com este “furto” os interesses que devia defender.
Caindo na miséria depois de despedido, este administrador foi recebido e alimentado em casa daqueles a quem tinha reduzido as dívidas.
E Cristo termina a parábola louvando a acção deste homem por saber conquistar amigos com o dinheiro da iniquidade.
Tendo defendido noutra ocasião que é devido a César o que é de César, parece-me haver contradição entre estes dois princípios.
Sem pretender reduzir o pensamento de Cristo ( Deus ) , à dimensão da minha compreensão (humana) , mas supondo que era para mim que falava, confesso simplesmente que não percebo a parábola.
Terei ouvidos de ouvir? Terei sentidos de sentir?
Possivelmente uma qualquer interferência na minha “parabólica” não deixa chegar o sinal, com a nitidez necessária à compreensão da parábola.

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Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado. Com o decorrer do tempo e tal como n...