Vim viver para a aldeia,
Para a casa que era dos meus avós,
O meu pai combinou com os meus tios,
E a casa ficou para nós.
A minha casa
Fica no cimo da povoação,
Onde vivo com os meus pais,
O meu Gonçalo e o meu João.
Vivo no campo,
Em contacto com a natureza,
Onde os pequenos bichos e passarinhos
Nunca revelam tristeza.
É muito agradável logo de madrugada,
Ouvir o rouxinol
Na sua canção afinada.
Já conheci coisas,
Que nunca tinha visto,
De fazer novas descobertas
Eu não desisto.
Vou falar de animais,
Que aparecem mais no verão,
Desde a formiga e a cigarra
Até à cobra e ao sardão.
A formiga é muito diligente e graciosa,
A cigarra boa cantadeira mas preguiçosa,
A formiga preta é pequenina,
Vive numa casa sem porta nem janela,
Por vezes carrega um corpo,
Dez ou vinte vezes maior que ela.
A cigarra tem vida de rainha,
Não quer fazer nada,
Quando chega o Inverno, pede à formiguinha.
De vez em quando
Uma cobra atravessada no caminho,
Muito parada e quieta
Para ver se hipnotiza um passarinho.
Lá vai uma pedrada
A segunda e a terceira,
Se ela não faz nada,
Acabou a brincadeira.
Os sardões são inofensivos,
Não fazem nenhum mal,
Eu falo de uns pequeninos,
Que se escondem no muro do meu quintal.
Admiro muito o grilo,
Com a sua capa de estudante,
Calado ou a cantar
Apresenta-se galante.
Onde eu moro é Santa Cruz,
O nome do lugar
Vocês não imaginam,
Como é bom cá morar.
Perto há um cruzeiro
Que coroa a povoação,
Que recorda a fundação de Portugal
E a sua restauração.
Eu já fui vê-lo de perto,
Com o qual me admirei,
Também dizem que viveram aqui,
Povos do tempo do nosso 1º rei.
Não cheguei muito perto,
Porque está em cima
De um grande penedo,
Mas as datas lá escritas
Não têm segredo
A minha casa fica junto à capela,
Onde se venera a linda Santa Luzia,
Venham ver o cruzeiro,
Que eu sirvo de guia.
Póvoa, 26 de Maio de 2007
David Gonçalinho Loureiro ( 12 anos )
