domingo, janeiro 28, 2007

Fotos da Procissão 2006


Encontram-se disponíveis, (mas apenas como teste) as fotografias da procissão de 2006. Para poder aceder vá ao seguinte endereço: http://www.povoadelamego.blogspot.com/(ou então clique em: “Novo Blog da Povoa” que se encontra na lista de links ao lado) Depois de entrar na página clique nas palavras: “Procissão Póvoa”que se encontram por baixo de um quadro. Seguidamente clique em : “ apresentaçã de slides.

Pedimos desculpa pela palavra "proccissão", futuramente será corrigida.

Minha aldeia

Ó minha amada e velha aldeia

Como posso eu agora olhar-te,

Se existe o horizonte de mim a ocultar-te,

Porque não vejo em teu céu a lua cheia,

Nem uma só réstia do teu sol me premeia?

Diz-me, o que farei para poder abraçar-te?


Quantas saudades verias no meu olhar,

Se esta lonjura se tornasse perto,

Se a distância não fosse o meu deserto!

Como seria o meu sorriso singular,

Talvez de alegria me visses chorar,

Se o nosso rumo não fosse tão adverso!


Não podendo mudar este destino em nada,

Nem afastar de mim tão amarga solidão,

Resistirá comigo um desejo, uma intenção,

De acordar em cada madrugada,

Serena, saudosa, porém determinada

A escrever sem cessar esta paixão!...


Celeste Gonçalinho de Oliveira Duarte


sexta-feira, janeiro 26, 2007

Visconde de Vila nova de Souto de El-Rei

Francisco de Almeida e Murça [?]



Sua Majestade tendo considerado a lhe representar António José de Almeida, filho primogénito de João de Almeida, Tenente Geral dos seus Exércitos e Governador das Armas e da Relação [?] seu ministro plenipotenciário que foi na Corte de Roma com o título de Visconde de Vila Nova de Souto de El-rei com uma vida nele, para se verificar depois da sua morte no sobredito seu sobrinho e sendo já falecido o mesmo Francisco de Almeida e Murça [?] esperava merecer da Real Grandeza a mercê de que nele se verificasse a vida no referido título em que havia sido contemplado ao que tendo atenção e à qualidade e mais circunstâncias, que concorrem no mesmo António José de Almeida e por esperar dele que em tudo o que de o encarregaram a servirá muito à sua satisfação distinguindo-se nas suas obrigações como quem é à imitação de seus ascendentes. À sua Majestade por bem fazer-lhe, mercê do título de Visconde de Vila Nova de Souto de El-Rei de que é donatário seu pai o sobredito João de Almeida e que no dito António José de Almeida se verifique a vida no mesmo título, com que foi despachado seu tio Francisco de Almeida e Murça e, em que o mesmo José de Almeida foi expressamente contemplado. E quer sua Majestade o manda que o sobredito António José de Almeida daqui em diante, se chame Visconde de Vila Nova de Souto de El-Rei e que com o dito título goze de todas as honras, proeminências, isenções, liberdades e franquezas, que tocam e pertencem ao dito título de Visconde e lhe podem competir e tocar segundo o uso e antigo costume destes reinos e por ele haverá o tratamento de Senhoria para se lhe poder falar ela assim como se pode falar às mais pessoas que o têm nestes reinos e Senhorias. De que se lhe passou a carta que foi feita em 11 de Abril de 1783.



Cancelaria de D. Maria I

IAN/TT Registo das Mercês, fl. 330

Nota: Na margem esquerda do treslado vem escrito:

Veja-se o livro 23 de Mercês a fl. 105.

Francisco José de Almeida

Fiz a pesquisa deste texto documental no Instituto Arquivos Nacionais/Torre do Tombo.



Celeste Gonçalinho Oliveira Duarte

Casino Europa

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Hino à Senhora do Pranto

Senhora do Pranto,
Sois para nós a única libertação
Para o faminto o fragmento de pão
Luz na nossa caminhada e encanto
Sois presença na nossa solidão,
Por isso evocarei Vosso nome Santo!

São Vossos olhos constelações,
Que se expandem no universo infinito,
Onde brilham como tesouros de amor bendito,
Dando luz à cegueira dos nossos tristes corações
E conforto à dor humana em seu impetuoso grito,
Nos abismos das suas desilusões!

Vossas mãos são duas palmas
Serenas suaves e alvas,
Que evocam as do martírio, da Paixão
As que tranquilizam nossas almas,
Tal como as de Cristo acalmaram as águas,
E fizeram o milagre do pão!

Alegram Vosso vestido singelas rosas,
Em cor vermelha rubi,
As mais belas as mais Formosas
As mais perfumadas que já vi
As mais alegres e ditosas
Do mais original que conheci!

Celeste Gonçalinho Oliveira Duarte

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Recordações




Teria menos de cinco anos quando o meu pai me levou pela primeira vez às pútegas. Teria a mesma idade quando me ensinaram a conhecer e descobrir sanchas e gasalhos. Teria um pouco mais de idade quando comecei a prestar atenção à idade do gado através de um exame aos dentes; ver se um animal ainda era novo e se estava ao primeiro, ou se já mais velho e estava a cerrar. Por esta altura aprendi a ver se uma vaca tinha formigueiro nos cornos ou se teria mosqueiro na pele.
Apreciava como a minha mãe lavava minuciosamente a loiça com carqueijas.
Por estas idades já me ia embalar no berço da moira, ou ainda, inspeccionar a pedra da galha para tentar descobrir vestígios do pote de ouro deixado pelos moiros quando da sua fuga, mas sempre com muito medo de ser surpreendido pelo pote de veneno que se supunha estar dentro, para confundir. Foi ainda por esta idade que conheci e comi os queijapões.
Porém a minha nostalgia revela-se mais na idade escolar em que ajudamos a construir uma bicicleta de madeira para o Fausto, ou comíamos os ovos cozidos do Manel d`Amblina, depois de lhe termos provocado o enjoo com o pretexto de a mãe dele os ter cozido na labaige dos porcos.
Foi na minha terceira classe com a Dona Natividade, que eu vi pela primeira vez uma esferográfica ( bic cristal) que a mãe do Fausto lhe mandou de Lisboa, e que escrevia a tinta, sem borrar o papel – parecia inacreditável, até para a professora!

Zé Macário


Os homens estão loucos

Na Póvoa, lembro-me bem de que enquanto garoto, quando
alguém partia para longe, como por exemplo para o Porto ou Lisboa, ia de casa em casa despedir-se de toda a aldeia, receber algumas recomendações dos seus conterrâneos e eventualmente algumas moedas para a viagem, ou para a sobrevivência dos primeiros dias.
Também quando havia a percepção de que qualquer pessoa iria partir para o além (morrer), alguém ia para junto do leito desse vizinho fazer-lhe as últimas recomendações e ler-lhe o livro da agonia. Havia alturas em que o agonizante já não ouviria nada nem ninguém, porém na dúvida, as recomendações continuavam e a leitura também.
Quer isto dizer que, acreditando-se numa continuação da vida do outro lado, preparavam-se as pessoas para a dignidade da chegada.
Vem-me isto à ideia a propósito da “dignidade” que hoje uma certa propaganda faz da eutanásia, isto é, ao matar as pessoas dizem ajudá-las a morrer com dignidade. Que estranha dignidade esta!
Vem-me ainda isto à ideia a propósito do referendo à liberalização do aborto em nome dos liberais, ou talvez dos libertários direitos da mulher.
Desde há muito tempo a esta parte, partidos políticos e outras associações, normalmente os maiores paladinos dos “direitos humanos” têm coisificado e objectificado a pessoa, retirando-lhe toda a dignidade em nome da dignidade que dizem conferir-lhe, ou que falaciosamente lhe atribuem.
Desde a banalidade das execuções de condenados, para satisfazer os mais primários instintos de vingança em alguns países, até à liberalização do aborto em outros, ou ainda à discussão sobre a eutanásia em que recorrentemente querem envolver-nos, tudo isto não passa de um regresso à mais remota barbárie.
Se nos chocava o relato da matança dos inocentes perpetrada por Heródes, Como poderá deixar de nos chocar o referendar do direito à liquidação da vida nos tempos que correm?
Que saudades eu tenho da forma vibrante como a minha professora primária nos transmitia carregada de orgulho, que os Portugueses tinham dado grandes lições de civilização ao mundo, ao ser os primeiros a abolir a pena de morte!
Tanto quanto julgo saber, na natureza, a matança entre indivíduos da mesma espécie, só acontece por motivos de sobrevivência da própria espécie.
Não consigo perceber como seremos capazes de estratificar em socalcos, por idades ou por outra razão qualquer, o valor da vida da pessoa, sabendo-se até, quanto o facto da existência de uma só pessoa pode mudar o curso de toda a humanidade. Porque o homem tem em si mesmo esta dualidade, de ser dotado da mais ínfima pequenez e da maior das magnitudes.
No entanto, segundo um princípio de corresponsabilidade universal, nada daquilo pode acontecer perante o meu silêncio, ou então tenho de me questionar pela conivência com esta barbárie.


Zé Macário

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Um canto à Virgem da minha terra

Ó virgem do Pranto
Ó minha bela Senhora,
Se não fôreis Vós quem fora,
Que com seu suave manto
Envolveu a dura vida de encanto
Tornando-a leve e promissora?!

Ó Virgem de sereno e pálido rosto
Porque Sois tão triste assim?
Chorais por Cristo ou por mim,
Porque Ocultais em Vossa face o luar de Agosto,
Porque é Vosso gesto um sol já posto,
Porque não mo Revelais por fim?!

Ó Virgem de Santa Cruz,
Compreendo agora o Vossa dor,
Assim, vá eu para onde for,
Levar-vos-ei como minha Esperança e Luz,
Tal como o são a água e o sol para o semeador
Da mesma forma que o Foste para Jesus!...

Ó Virgem da minha terra,
Abraçai-a por mim, que eu não posso,
Já que para isso basta um gesto Vosso,
Enquanto eu, humilde filha da serra
Esboçarei, numa simples tela
Um terno sorriso em Vossa face como gosto…

Celeste Gonçalinho Oliveira Duarte

domingo, janeiro 14, 2007

CAPELA E PARÓQUIA (Por:P.Assunção)




Da Etimologia à Teologia

Habituados como estamos, por rotina, a entrar na Igreja Paroquial, cujo interior se apresenta nesta foto ou na capela da Póvoa, exposta em vários lugares deste blog, presumir-se-á que todos os paroquianos saibam a origem das palavras “capela” ou “Paróquia”. Dirão mesmo: claro que fui baptizado na paróquia de Vila Nova de Souto d’El-Rei e a minha aldeia tem uma capela muito bonita, que é a capela da Póvoa. Mas nunca me dei ao cuidado de procurar saber essas questiúnculas.
Na era da Internet, somos estimulados a abrir os nossos horizontes ao passado e ao futuro, porque cada vez somos menos “ilhas” isoladas, para navegarmos todos no mesmo vasto oceano de ideias. Não percamos o rumo nem abandonemos o leme, para não nos diluirmos por entre as ondas alterosas ou sucumbirmos vítimas de algum “vírus informático”, contra o qual não estejamos imunizados.
Ora a palavra “capela” leva-nos até à cidade de Tours, na França, onde ficou famoso o milagre de S. Martinho, esse que nos dá a “benesse” de um rasgo de verão nos tempos de Outono (celebra-se a 11 de Novembro) e que para os poveiros lhes proporciona uns deliciosos magustos com a castanha aqui criada, produto dos seus ricos castanheiros.
Reza a lenda que este militar, que viveu em Tours, entre os séculos IV e V, encontrando um mendigo a tiritar de frio, em pleno Inverno, num dia gélido e chuvoso, se condoeu da sua miséria, cortando metade da sua capa para o agasalhar. O seu gesto de rara humanidade valeu-lha a resposta recompensadora da Divindade. O céu se abriu e o sol raiou, para por em evidência a brilhante sensibilidade do soldado. O povo, esse não mais esqueceu esta história, lenda ou milagre. Ainda que fosse mito…! “O mito é o nada que é tudo” no dizer de Fernando Pessoa.
Pois a verdade é que ao lugar onde se guardou através dos séculos até hoje a metade da “capa” de S. Martinho, foi dado o nome de “capela” (pequena capa) de capa+ela = capinha. Mais um fenómeno de evolução semântica. Afortunadamente, as novas terminologias aqui não tocaram em nada. Trata-se de um sufixo derivacional de valor semântico avaliativo (ela), diminutivo, tal como antes se dizia. Capela é agora, não a pequena capa, mas o lugar onde nos reunimos para praticar o culto e celebrar a fé.
“Paróquia” vem do grego e quer dizer “à volta da casa”. O prefixo grego “para” significa “á volta de” e a palavra grega “oiquia” significa “casa”. Quando surgem as primeiras paróquias, as povoações aglomeravam-se ao redor do edifício principal, em princípio, mais alto e central, que era a Igreja. Certamente que esta é uma concepção de paróquia rural e remonta à Idade Média. Mas continua a chamar-nos a atenção para a centralidade da vida cristã, que a palavra “paróquia”, na sua etimologia, continua a evocar.
Teologicamente, define-se Paróquia como “uma certa comunidade de fiéis constituída estavelmente na Igreja Particular, cuja cura pastoral, sob a autoridade do Bispo Diocesano, está confiada ao Pároco” (c.515 do C.I.C.)

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Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado. Com o decorrer do tempo e tal como n...