sexta-feira, janeiro 27, 2006

É tempo de arregaçar as mangas (por Teresa Costa)

É tempo de arregaçar e pôr as mãos à obra.
É tempo de nos unirmos e de fazer deste cantinho esquecido uma estrela brilhante no universo. É engraçado, eu que adoro a Póvoa, as suas gentes, a paisagem, a tranquilidade, os cheiros, os aromas e os sabores, nunca fui muito dada a conversas, prefiro apreciar, ver e ouvir o que me rodeia. Mas, agora agradeço, de certa forma, àquelas duas raparigas corajosas - Lurdes e Adriana - por terem tirado as poldras que impediam que o rio tomasse o seu rumo com a força que lhe é devida para transpor os obstáculos mais difíceis e até passar além das margens regando todos os campos por onde passa, fazendo assim renascer novas ideias e sentimentos hibernados há muitos anos. Foi a iniciativa de realizar a festa do ano transacto que levou a este turbilhão de ideias (e iniciativas )há muito guardadas no báu. Parece-me que todos nutrimos pela Póvoa o mesmo sentimento e a mesma vontade de agir. É bem verdade, todos temos uma qualquer ideia, uma qualquer vontade de fazer algo. São essas ideias e sugestões que temos de deitar cá para fora e partilhar com todos. Temos de dizer o que pensamos, pois são os pequenos actos que fazem as grandes obras. Por ser para mim mais difícil dizê-lo, aproveito este cantinho secreto - obrigada Jorge - que espero deixe de o ser, para dizer aquilo que penso. É urgente que as pessoas responsáveis - pelo poder local - aterrem a sua nave espacial e orientem o relógio do tempo para o século XXI. Irão cair em si, olhar à sua volta e verificar a realidade - a Póvoa parou no tempo. Uma pequena aldeia, com poucos habitantes, mas todos eles dignos de uma vida saudável e melhor.Onde o sino toca para cada terço com a esperança que alguém ouça as preces. Uma pequena aldeia do Norte, onde a água jorra por entre as pedras, onde as paisagens cativam o mais desatento, onde o sossego ajuda a recarregar baterias... Mas onde não existe água canalizada, onde não existem esgotos, verificando-se já em alguns sítios correrem a céu aberto tornando-se um perigo para a saúde pública e um atentado à vista. Essas pessoas que estão no centro das decisões - senhores autarcas - irão com certeza colocar a mão na consciência e tomar a atitude mais correcta e responsável, porque eu estou em crer que são pessoas que ocupam estes cargos, precisamente porque o povo as escolheu e contam com elas para melhorar as suas condições de vida. A Póvoa precisa e as pessoas merecem.

sábado, janeiro 21, 2006

Desabafos (por Zé Macário)

Desabafos
Há muitos anos atrás, no tempo dos nossos avós, tempo de uma população essencialmente rural e agrícola e, até meio do século passado, os baldios que compõem o monte Dufe e arredores eram talvez a principal base colectiva de sustento do povo da Póvoa. A relação deste povo com aquela montanha era uma relação de pai/filhos, pois aquele monte guardava-lhes e mantinha-lhes os rebanhos e as manadas, nutria-lhes as terras de fertilizantes naturais, secava-os e aquecia-os à lareira nas longas noites de rigorosos Invernos e era o seu principal elemento de trabalho e recreio. A partir desta altura, com a florestação, o povo perdeu essa saudável relação com a montanha e teve de esperar até aos nossos dias (cerca de 50 anos) pela criação da galinha dos ovos de ouro (a floresta) para que pudesse voltar a comungar da riqueza - agora florestal - que aquele velho e generoso "avô-montanha" tem ainda para nos dar. Com limitado conhecimento de causa mas, a contar com a riqueza que a nossa vista por lá avista, acreditamos que será boa a fonte de rendimento que para este povo reverte todos os anos de tais baldios, e que gostaríamos de ver traduzidos na melhoria colectiva das condições de vida desta gente. Porém, não vemos melhores arruamentos, abastecimento de água ou saneamento básico; outras coisas haverá em que esses fundos são aplicados... gostaríamos de saber quais.Agora virando o disco, tocando a mesma música mas noutro tom: -Há um ditado popular que diz que atrás de mim virá quem me louvará. Há uns bons pares de anos atrás estava a Póvoa há muito tempo com grande carência de água, quando um dia encontrei o Presidente da Junta (Prof. Valentim)numa festa de um familiar comum e aproveitando a companhia de outro filho da terra (Diamantino) reclamei-lhe de forma algo brincalhona a extracção e abastecimento do precioso líquido àquele povo; tendo-lhe logo ali indicado também o local onde poderia fazer a referida extracção. Foi-me logo ali prometido que na segunda feira seguinte alguém iria proceder à referida exploração. Se bem foi dito, melhor foi cumprido, pois na tal segunda feira - penso eu de que - logo de manhã, lá estava o marido da Alice com uma máquina da câmara a explorar água que, cedo começou a jorrar em força. Fui ainda testemunha da construção por essa junta de algumas calçadas naquele povo - algumas, reclamadas pelo meu pai - pessoa que sempre reclamava e se ligava a obras de beneficiação da Póvoa. Do Presidente da Junta que se lhe seguiu - um tal Gonçalinho - não consegui que, activamente, algum dia escutasse qualquer reivindicação e parece-me que a Póvoa ao fim destes mandatos ficou mais pobre e não terá comungado nunca, de forma material e visível, das verbas que lhe deveriam caber em sorte, não obstante as movimentações que se fizeram - até com abaixo assinados - para que lhe fosse abastecido água ao domicílio e executado o saneamento básico. Lamentamos. Tanto mais, porque este senhor (pelo nome em que deveria ter algum orgulho) deveria ter alguma relação de origem com o povo da Póvoa. A falta de água ao domicílio e o saneamento básico são uma vergonha do nosso tempo, tanto mais expressiva quanto a fertilidade daquele líquido e a altitude a que está, são uma realidade que permite satisfazer estas necessidades com baixissímos custos. Com o novo Presidente e nosso amigo, Carlos Fernandes, acreditamos que possa agora ter expressão e execução aquela velha reivindicação popular. É um indivíduo mais novo, culto e moderno e com quem todos mantemos uma relação muito mais afectiva. Ele não vai trair essa afectividade e vai com certeza pôr a execução destes objectivos como prioridade do seu mandato. Parabéns e muito obrigado, amigo Carlos. Que Deus te ajude em tudo. Nós, mesmo sendo poucos, estaremos contigo com a força que tivermos e ajudaremos a fazer a negação do aforismo contido naquele ditado popular. Um abraço, Presidente!
Zé Macário

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Votos de Bom Ano Novo

este final de 2005, desejo a todos os conterrâneos e suas famílias, votos de um final de ano feliz, e desejos de um 2006, cheio de alegrias, e a concretização de muitos sonhos.
Desejo, também estender estes meus votos, a todas as pessoas da Freguesia. (Juvandes, Arneiros e Lamelas).
Um desejo muito especial, para o Sr. Presidente da Junta.
Que o ano de 2005 termine da melhor maneira, e que o ano de 2006, seja realmente o ano de uma mudança, que se espera concretizadora, nas promessas, que só o foram e nunca passaram disso mesmo. Por isso mesmo, lhe desejo muita e boa saúde, assim como a toda a sua equipa, para que possam realmente realizar o que sabem muito bem os povos precisarem. Para todos um BOM ANO 2006.
Jorge Venancio

quarta-feira, dezembro 28, 2005

É NATAL, É NATAL!!! (por Teresa Paula Costa)

É Natal, É Natal!!Todos parecem anunciar o Natal sem saberem o que realmente simboliza.Paira no ar um ligeiro mau gosto e falta de personalidade.As ruas estão iluminadas, as casas preparam-se para receber talvez... não sei bem, se calhar alguém com falta de orientação!Em todas as casas se vê um gorducho de fato vermelho e barbas brancas a trepar pela chaminé, ou mesmo vários a subir por uma escada de corda em cada varanda de cada bloco de cimento.Há estrelas cintilantes, azuis, vermelhas e verdes, em cada janela, provavelmente compradas numa qualquer loja chinesa, e são muitas por esse país fora, tentando concorrer com a fachada do vizinho, esquecendo que é isso mesmo, apenas "fachada".Também há as mangueiras de todas as cores contornando as janelas, varandas e casas por inteiro, que parecem mais a anunciar o "cabaré da coxa", do que propriamente a chegada do Menino despido. Sim despido, despido de luxúria, de igoísmo, de egocentrismo, do consumismo desenfreado.É verdade, pois é, estou do contra.Não estou muito sensibilizada para este " espírito natalício". Não me apetece nada, mesmo nada, comprar uma prenda porque tem de ser, porque todos compram.Não.É verdade, não consegui. Ainda tentei. Embrenhar-me na multidão de gente que invade os centros comerciais num consumo desmedido, desnecessário e num nervosismo impaciente, com a pessoa que passa à frente na fila para os embrulhos dos presentes, ou com a senhora que ao sair do parque auto, deixou o carro ir a baixo e, quantas mais apitadelas, mais nervosa fica e mais difícil se torna pôr o carro a trabalhar, ou com a rapariga do café, com tanta gente para atender, não repara no senhor que já está há alguns minutos à espera tornando-se mal educado.Pois é. Não estou nada para aí virada. O que eu queria mesmo era passar o Natal na Póvoa!E porquê?! Na Póvoa tudo é mais simples.Com os miúdos enfeitavamos uma pequena árvore de Natal, bem ao gosto deles.Com alguns jornais faríamos o presépio, porque o que é preciso é imaginação e criatividade.Sentavamo-nos à lareira a ouvir o crepitar da lenha e com um pouco de sorte, iríamos brincar na neve que, ao que parece, e as gentes de lá dizem, nós é que a levamos.E à noite?! Acho lindíssimo o nevar à noite.Depois, claro, não podia faltar, assim dita a tradição, as rabanadas e filhoses à moda da família Costa, isto é, assim assim, mais ou menos, com todos a dar palpites e a pôr as mão na massa.E há lá coisa melhor do que ver o sorriso dos miúdos e o brilhozinho nos seus olhos, quando de manhã encontram no seu sapatinho um presente, mesmo que não seja aquele que mais desejassem.Claro que recebem prendas, eu não sou alucinada e sei que vivemos neste mundo. Eles veem televisão, conversam com os amigos e, porque tenho uma visão diferente não me acho no direito de lhes tirar esse prazer, quando eles ainda não têm capacidade de entender.Enfim.Seria o Natal como eu o sinto.Mas este ano não é possível, no entanto desejo a todos os Poveiros de coração um Feliz Natal e Bom Ano Novo e, que em cada tamanquinho surja a realização de um desejo.- Teresa Paula Costa
(20-12-2005 - 12:40:27 PM)

terça-feira, dezembro 20, 2005

BOAS FESTAS







Para todos que nos visitam
e em especial para os
da Póvoa e amigos,
Votos de um
Santo Natal e Próspero Ano Novo

sábado, dezembro 17, 2005

Novo endereço

A partir de agora poderá aceder à pagina através do seguinte endereço:

www.povoavilanovasoutodelrei.pt.la

Brevemente será disponibilizado novo album de fotografias.
Para aceder a estas terá de solicitar uma palavra passe.
Faça-o, clicando em "palavra passe clica aqui"
Posteriormente receberá uma palavra passe válida para visualizar.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Livre Pensamento em brisa leve (por Zé Macário)

Fui criado e educado, como a maioria de vós, com absorção e quase assimilação de uma espécie de ódio aos nossos primeiros pais ( Adão e Eva) por nos terem deixado - por sua desobediência - a maldita carga do pecado original. Querendo ver isto hoje por outra perspectiva, louvo-os por terem dado largas a sua cobiça e, desobedecendo, terem provado o fruto da árvore da vida( árvore do conhecimento do bem e do mal). Como seria monótona a vida no Paraíso Terreal, onde tudo existia e nada era necessário fazer, para obter a felicidade total! Tudo estava feito inventado e criado... Não fora tal desobediência e viriam necessariamente Adão e Eva a ser atacados pelo vírus da abulia, mercê de tanto tédio e fastio. Moldada em material nobre, Eva, frágil criatura (só um catorze avos da caixa torácica de Adão) deveria ser extremamente bela, pois era a primeira, e, portanto, obra prima do Criador.Quem seria então o "morcon" capaz de resistir aos apelos de tanto encanto; tanto mais que também ela deveria andar arrebatada - por idênticas razões - perante a visão do seu "Apolo"? Digam-me, quem seria capaz de resistir?... Pergunto até se, não será a cobiça - em vez de um pecado - um acto de louvor ao Criador? Quem criaria uma obra - prima - para não ser admirada e cobiçada? Não seria mesmo um grave pecado, não louvar o Criador, através da admiração e mesmo, cobiça e prova,da criatura? Não fazendo, nem por sombras, a apologia do furto, acho que a cobiça não é pecado.Pecado será o furto por causa da cobiça... Sei que havia ali (no Eden) uma limitação (proibição) não sabendo no entanto se estariam Adão e Eva avisados de que pairava sobre eles a vigilância do espírito do Criador; parece-me até de muito mau gosto esta ideia coscuvilheira orweliana ou carrilheira - como no caso do olho do Grande Irmão ou das câmaras de vídeo vigilância em Lisboa - de tentar surpreender e filmar pessoas distraidas e descontraidas a coçar o cu ou a tirar cagaitas do nariz. Foram surpreendidos em flagrante e castigados;mas porquê? Meu Deus, Porquê? Sim, são insondáveis os designíos do Senhor, porém, porque haveria o criador de querer privar a criatura, de fruto tão delicioso? Felizmente o Criador reconsiderou e, mandou que Alguém muito valoroso, se apresenta-se perante Si, como fiador e redimisse aquela divida/ofensa.E pronto, tudo está bem quando acaba bem. Sublimando a ideia de pecado original e da sua propagação, verificamos porém que, foi por causa dessa desobediência que hoje somos participantes no acto da criação, e que por isso mesmo, saboreamos em êxtase o manjar dos Deuses. A cobiça, sendo um sentimento subjectivo e secreto, poderá talvez ser incontrolável mas não tem obrigatoriamente de ser um sentimento negativo pois, por actos de sublimação,pode tornar-se num factor activo de progresso. Assim, ao nosso próximo, podemos cobiçar a casa, o carro e até salivar de desejo pela mulher; porém não devemos deixar que a cobiça seja objecto de usurpação,daquilo que é seu por direito próprio, mas antes, movimentar-nos para conseguir dotes iguais ou superiores àqueles. No que respeita à prova da árvore da vida, e que, tantas vezes - embora em momentos muito fugazes - nos faz extasiar, chegar ao céu e provar o tal manjar dos Deuses, podemos sempre, por actos de imaginação - como que por passes de magia - transformar a nossa água - se é que é água - no precioso líquido que imaginamos ser o "vinho" do vizinho; não sabemos mesmo se, quando o nosso par, nos afirma ter gostado imensamente dos nossos diospiros, não estava simplesmente com a imaginação nos pêssegos de outro pomar. Resumindo e concluindo: - Bendito pecado original! Comamos o fruto da árvore da vida e tentemos conservar - tal como Adão - aquele gostinho, na epiglote. Nunca acabem de engolir a maçã, porque assim o gosto dura mais tempo. Comam muita fruta! Sejam felizes! Bom Natal!

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Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado. Com o decorrer do tempo e tal como n...