quarta-feira, setembro 16, 2009

FESTAS DA PÓVOA 2009





Pelo 4º ano consecutivo, realizaram-se as festas em honra de nossa Sra. do Pranto; e mais uma vez estão de parabéns os festeiros.
Se desde os remotos tempos de Cristo, os burros foram distinguidos com a honra de O aquecer no presépio e levá-Lo em fuga para o Egipto, agora transportaram a imagem da nossa Padroeira e de outros santos, em procissão pelas ruas da aldeia.
Em todas as festas tem havido alguns sinais de inovação, e mais uma vez os festeiros surpreenderam pelo brilhantismo da ideia.
As senhoras com os respectivos Stafs engalanaram as ruas a preceito como se impunha e já vem sendo hábito.
Na vida comunitária da Póvoa houve sempre alguns homens que, informalmente a lideraram. Com a subida das mulheres ao poder, todos percebemos que essa vida social é dirigida ou condicionada por uma certa “vestalidade”( alegoria do autor) porém, nestas festas só uma vestal se mostrou menos entusiasta ou activa.
Os nossos jovens parecem terem tido um mês de farias em cheio, e é louvável a sua unidade em todas as iniciativas; ninguém poderá jamais dizer que esta, é uma juventude rasca.
Quanto aos mais velhos, foi agradável ver a alegria com que receberam a festa e os miminhos que para si se prepararam.
Para o próximo ano lá estaremos se Deus quiser.




Zé Macário




quinta-feira, dezembro 11, 2008

Nascer e Morrer. O Mote.

É verdade; nada se perde, tudo se transforma. Este teu texto veio mesmo na altura certa, para se falar em transformações. Transformar ou pelo menos dar alguma vida àquilo que noutros tempos teve uma vida intensa, e que por motivos que todos nós conhecemos, se foi degradando, perdendo a sua utilidade e que acabará mesmo por cair e ser coberta por ervas, silvas, sabugueiros e outras plantas que os ratos, pássaros e o próprio vento se encarreguem de para lá levarem as sementes, tal como noutros tempos os nossos pais lá guardavam os cereais.
Estou, como é fácil de perceber, a falar de uma eira, conhecida de todos nós, com o nome de “eira dos Gonçalinhos” esta eira que dispõe de uma casa (casa da eira) está como todos nós sabemos, a cair e sem qualquer tipo de utilidade seja para quem for.
Havendo já uma forte vontade por parte de muitos dos consortes desta eira, em quererem dar vida aquela casa, e animar aquela eira tal, como noutros tempos o foi, é chegada a hora de todos dizermos sim, a este projecto. Os mais cépticos estarão já a ver que irão ficar sem o seu quinhão, naquela eira, provavelmente neste momento, com mais de cem ou duzentos consortes, é difícil de se saber qual o seu quinhão, mas fiquem descansados, que bem pelo contrário, o valor aumenta com a recuperação do imóvel.
Pois bem, voltando então ao texto, com o titulo, “Nascer e morrer” e como muito bem diz o seu autor, Kim Kosta, mesmo com a certeza de que tudo o que nasce morre, mas também de que na vida nada se perde tudo se transforma, aproveitemos então esse principio, e sem receios, transformemos a eira, num local do povo e para o povo, uma vez que neste momento a eira já deve pertencer praticamente a todas as famílias da Póvoa.
Não deixemos cair, e transformar-se numa coisa inútil, uma coisa que é de todos e que como tal poderá ter uma utilidade pública que se possa enquadrar nas necessidades da povoação, e de todos os que se encontrando fora, gostam de passar lá uns dias das suas férias.
Animemos então a Póvoa, reconstruindo e dando vida àquilo que noutros tempos foi dos locais mais alegres, onde o trabalho se misturava com as brincadeiras, tanto nas malhadas, como nos serões das desfolhadas de milho.
Jorge Venâncio

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O PODER DE UM BLOG

O PODER DE UM BLOG
Quando fui convidado pelo sr. Administrador a colaborar neste blog, longe estava eu de pensar que ele iria ser o responsável pelas obras de restauro e conservação da capela da Póvoa. Tudo começou, porque um dia um amigo meu, professor do Liceu Latino Coelho-Lamego, o Dr. Giordano, entrou na capela com a sua máquina digital e não resistiu a tirar umas fotos, as primeiras que saíram no blog. Amante exímio da arte da fotografia e não menos da arte sacra, confidenciou-me passados uns dias que “era pena se não conservavam as pinturas do tecto, porque valiam bem uma intervenção e o mais rápido possível”.
Como me ofereceu essas fotos, resolvi também partilhá-las com os visitantes do blog. O sr. Jorge Venâncio, logo as apreciou criticamente e, num comentário de então, coincidiu na mesma observação: “Temos que salvar estas pinturas”. O povo da Póvoa reagiu favoravelmente, mas com algum cepticismo e temor, perfeitamente compreensíveis. Onde ir buscar o dinheiro para essa intervenção? E quem vai gerir as complexas burocracias que se antevêem para obras desta natureza? Aliás, a prudência não aconselhava aventuras sem fim à vista.
Surgem opiniões divergentes, mas todas à procura da melhor solução, o que gerou um debate salutar. Era preciso começar. E foi quando eu disse ao sr. Administrador: “Pode contar com o meu apoio, porque pela minha experiência, as obras de Igreja, depois de iniciadas, nunca ficaram por concluir. Há que começar, que o dinheiro aparecerá”. Depois, veio a escolha criteriosa da empresa especializada neste tipo de restauro, a autorização preciosa da Comissão de Arte Sacra Diocesana, a constituição atempada da Comissão de restauro e os donativos surpreendentes das mais diversas proveniências.
Em conclusão, foi uma obra de todos e para todos. Feliz o povo que assim se mobiliza. Não me cabe analisar sociologicamente a realização desta obra memorável. Mas não deixo de a enquadrar naquele tríptico verbal de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, porque amputar a primeira parte desta frase, seria elidir o sentido último das acções do ser humano, independentemente de ser cristão; omitir a segunda, seria desresponsabilizar o homem nas suas obrigações de programar o melhor para a humanidade; esperar que as obras nasçam sem intervenção de ninguém seria viver na ilusão ou na utopia.
Eu entendo que foi, previamente, Deus que o quis e, por isso, nada faltou: nem o sonho nem a obra.
Resta-me felicitar o sr. Administrador do blog, pela “primeira pedra”, diríamos, colocada na construção do projecto (assim concebo o seu alerta inicial para o que era necessário fazer), e agradecer à Comissão de restauro pela ousadia com que se lançaram neste sonho ambicioso e a todos os ofertantes, desde as entidades públicas, aos particulares, aos cidadãos anónimos. Todos podem ficar cientes de que gravaram, com a sua generosidade, letras de ouro na história deste povo.
Pe. Assunção

segunda-feira, dezembro 01, 2008

RESTAURO DA CAPELA (CONTAS FINAIS)



CONTAS FINAIS DAS OBRAS DA CAPELA DA PÓVOA
RECEITAS

-Em caixa ---------------------- 4.926,79€
-Comissão---------------------- 600,00
-Anónimo----------------------- 1.000,00
-Comissão---------------------- 2.235,00
-C. de festas de 2007--------- 2.973,10
-Comissão------------------------3.183,00
(inclui 2.041,00 da C. de Festas de 2006)
-Anónimo ------------------------2.000,00
-Comissão------------------------875,00
(inclui 50,00€ da D.ªLurdes)
-António Alves Pinto------------250,00
-Conselho Dir. dos Baldios---2.500,00
-Ofertas várias-------------------113,60
-Domingos Rasteiro-------------50,00
-Comissão-------------------------250,00
Ofertas várias---------------------69,73
-Comissão ------------------------260,00



TOTAL DE RECEITAS: 21.286,22€



DESPESAS

-Empresa Quadrifólio-------5.735,40€
(1.º pagamento)
- “ “ -------13.382,60
(2.ºpagamento)
(total da empresa:19.118,00 incluindo o IVA)
-António Faustino--------------500,00
(Reparação de estrutura do tecto)
-Electrificação-----------------1.140,00
-Colocação dos projectores---30,00
-Via Sacra------------------------295,00


TOTAL DE DESPESAS: 21.083,00


Saldo positivo de : 203,22€



Nota: A devolução do IVA, (21%) chegou 8 meses depois de ter sido pedida, quando já todos os pagamentos estavam feitos.
3.318,00€

Em caixa: 3.521,22€



V.ªNª de Souto d’El-Rei, 29 de Novembro de 2008
A Comissão de restauro

terça-feira, setembro 23, 2008

Rota da História

Teria com certeza mais de treze anos quando vi pela primeira vez um preto em pessoa; tendo visto até essa altura, somente várias representações imagéticas.
Até essa idade ouvia muitas vezes falar de pretos, principalmente a indivíduos regressados de missões católicas em África, que os descreviam não como pessoas, mas antes, como hoje se descrevem ou representam os marcianos; admitindo-se, quando muito, que fossem criaturas de algum animismo sincrético.
Diga-se de passagem, que sendo os missionários, nessa altura, dos poucos conhecedores da realidade africana, se compraziam de a relatar cá para os papalvos, apimentadamente recheada de vivências e peripécias sobre pessoas, deslocações, caçadas, safaris etc, absolutamente anedóticas.
Entendiam-se os costumes dos nativos não como objecto de culturas ancestrais, mas antes como instintivos hábitos selvagens muito próximos dos macacos, que era necessário submeter, ensinar, educar?... Ensinar, numa clara lógica de supremacia cultural e humanística da raça branca.
Num preto, todos os actos, gestos, costumes, rituais etc., eram risíveis. Riamo-nos dos relatos da sua indumentária, adornos, tatuagens, brincos argolas, guizos etc, colocados nos mais diversos sítios do corpo, por vezes e para tal, objecto de diversos furos e mutilações. Risíveis eram as suas formas de comer em grupo de um mesmo recipiente e directamente com as mãos, sem qualquer garfo ou colher.
Risíveis, também entre nós brancos, as homenagens festivas, expressas nas mais diversas danças, gestos e rituais, que os pretos prestam aos seus “maiores” (Homens grandes), chefes de aldeia, de concelho, de distrito, régulos, feiticeiros etc, a quem – supomos - veneram como ídolos. Como exemplo – remoto - desta forma colectiva de entender os pretos, lembro o vergonhoso facto histórico do aprisionamento e humilhação do Gungunhana.
No entanto, risível, risível, parece-me hoje a forma como os brancos assimilaram todos esses “bárbaros” costumes dos pretos.
Risível, parece-me hoje saber que há brancos com brincos chocalhos, argolas ou arganeis (pircings), colocados em todo o mapa corporal, inclusive orgãos sexuais e até nas bordas do cu?...
Risível, é que esta onda atravesse todos os estratos sociais, incluindo as “elites”. Curiosa e excepcionalmente, nunca vi nenhum militar padre ou bancário, com alguns destes penduricalhos presos às orelhas ou ao nariz, nem tão pouco, usando aquele exótico corte de cabelo tipo crista da galo.
Risíveis, parecem-me ainda as recepções a qualquer politicozeco, acompanhadas de fanfarra, banda, e tantas vezes com utilização das próprias criancinhas em encenações folclóricas, lançando a escada do “Olimpo”, a balofos e inúteis ídolos com pés de barro.
Entristece-me saber adulterada a língua pátria, com substituição do muito pelo bué, e apraz-me saber que os brancos ainda não comem a sopa com as mãos e directamente da panela, sem garfo nem colher.
Não é intenção deste artigo criticar no nosso povo a importação de tão exóticos costumes e artefactos, tanto mais que alguns até nos enriqueceram, principalmente no domínio da música e da dança, mas tão somente evidenciar através destes exemplos como anda a roda da história, praticando nós hoje os actos, que ontem eram objecto da nossa chacota.
Mudam-se os tempos, mudam-se os homens, mudam-se as vontades. Aquilo que ontem era, hoje já não é, e um dia voltará a ser.
Para onde vais mundo ?

Zé Macário

terça-feira, agosto 05, 2008

A PÓVOA

PASSADO,PRESENTE E FUTURO

I
Minha terra é tão linda
Num lugar tão pequenino
Onde passei minha infância
Nos meus tempos de menino
II
De tão pequena que é
E nunca mais aumentou
Dela saíu tanta gente
E mais pequena ficou
III
Esta terra pequenina
De tantas e sãs gerações
Que me trás sempre á lembrança
Tão gratas recordações
IV
Desde menino a adulto
Recordações de pasmar
É triste ver esta terra
Com tendências de acabar
V
Pouco ou nada se tem feito
Para ela melhorar
todos querem é ter proveito
Se ela o tiver para dar
VI
Que triste realidade
Com tristeza no olhar
Quando se olha e se vê
Quase tudo por cultivar
VII
Será que não vai mudar
Este desleixo abismal
Ver tanta terra inculta
Desde pego ao mial
Para não falar nas restantes
Que estão tal e qual
VIII
Eu falo de tudo isto
Pois são casos cruciais
Que antigamente se viam
Com tão lindos batatais
IX
Falando noutros terrenos
Sendo um caso mais banal
Onde então se cultivava
Noutro tempo o cereal
X
Estes terrenos então
E outros não referidos
Pois são para algumas famílias
Como terrenos perdidos
XI
Deixo-vos com estas quadras
E com vocês meditar
Vamos todos dar as mãos
Em conjunto trabalhar
Evitando deste modo
Da nossa terra acabar

José Venâncio

sexta-feira, agosto 01, 2008

IRONIAS DO TEMPO



Meus amigos, afinal o tempo não se esgotou e não parou no infinito do tempo que o tempo nos legou. Em qualquer tempo é tempo de fazer que o tempo seja mais tempo e não haja mais tempo de dizer que o tempo nos bastou. Mas se o tempo for o tempo, aquela fracção de tempo que em todo o tempo sempre esperou! E se for este o tempo desse imenso tempo, do muito tempo que a vida nos negou? Poderá ser, de facto, este o tempo que o próprio tempo nos destinou. Apeguemo-nos ao tempo, não percamos tempo porque o outro tempo, o tempo nos levou. Mas se o tempo não for o tempo daquele tempo que ao tempo cada um dedicou, lá virá o tempo, esse mesmo tempo em que cada um acreditou. E se, mesmo assim, o tempo não nos bafejou, chegará o tempo de outro tempo que o tempo nos marcou.Para viver este tempo, retomemos o tempo daquele tempo em que na cadeira da escola cada um se sentou. Este nosso tempo já não é o tempo daquele tempo que a memória avivou, mas será o tempo de recordar o tempo de um outro tempo do tempo que não mais acabou.
ASS. O mestre do tempo

Reativar este blog

Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado. Com o decorrer do tempo e tal como n...