Comemorações do Centenário da República
Até há muito poucos anos atrás, víamos pela televisão nos dias 5 de Outubro de todos os anos, dois ou três «velhos marretas» republicanos, a depositar ramos de flores junto ao busto da república; nunca tendo eu percebido o que celebravam afinal aqueles «marretas».
Todo o país era condescendente com o divertimento daqueles velhinhos, aparecendo na televisão na prática de tais actos, sem a isso se atribuir qualquer significado, que não o divertimento desses pobres.
Pensei que com o desaparecimento daqueles velhos republicanos, teria desaparecido a república, ou pelo menos o tal sentimento ou ideal republicano; verificando agora que afinal, tal parece não ser verdade, pois está decretado para este ano, o jubileu das celebrações do centenário da república.
Com que júbilo se pode celebrar um regime --que embora centenário – nasceu em crise, viveu sempre em crise e continua em crise?
É porém certo e sabido que muitas famílias oportunistas enriqueceram com o regime republicano, tendo como consequência o empobrecimento da maioria, como sempre acontece. E manda-nos a classe política dominante – a tal que mama sôfrega nas tetas do regime – que celebremos a republica… Brindou-nos sempre a republica com políticos medíocres, e nós celebramos…Brinda-nos o 25 de Abril com políticos incompetentes e nós celebramos… E eles incham mais e mais!
Perdemos a ideia de pátria, de país, de fronteira, e esquecemo-nos de símbolos como o hino nacional e a bandeira, mas celebramos a república e o 25 de Abril sempre…Que povo é este, meu Deus? Que povo é este?
Se algum dia fomos alguém, se fomos um império, se conquistamos mares e novos mundos ao mundo, foi com a monarquia.
Que haveremos nós de celebrar com o regime republicano ou com o 25 de Abril?
Que fomos mal governados em todo o tempo do regime republicano, é a verdade que todos os governos da república afirmam de todos os outros governos da mesma república; aliás todas as campanhas eleitorais se baseiam em dizer mal dos outros governos.
Após o 25 de Abril destruíram-se as escolas profissionais, a agricultura, a pesca e boa parte do tecido produtivo, enquanto o país é agora um imenso matagal, pasto perfeito para chamas dos incêndios de verão.
O desemprego crassa e cresce, e a breve trecho pode acontecer uma desagregação social; e a república rejubila, festeja, celebra e comemora!...
Acaso os escândalos de corrupção, de pedofilia, a ineficácia da justiça, nos dão algum motivo de celebração? Ou será tudo isto a tal ética republicana?...
Estamos em crise, mas iremos celebrar em júbilo, e gastar, gastar, gastar!...
Como diria outro medíocre republicano, é a vida!
Lisboa 19 de Setembro de 2010
Blog de Povoa de Vila Nova de Souto D'El-Rei.---- Falando da Póvoa. É uma terra singular, um caso particular de um povo antigo acolhedor e amigo ... Esta terra também é minha de todas a rainha é onde repouso e descanso, e reponho a memória da nossa antiga história, contada nos caminhos, nos atalhos e nos velhos telhados. .... Falando da sua gente Em: http://www.povoavilanovasoutodelrei.pt.la Herminia Gonçalinho
csm
sexta-feira, setembro 24, 2010
sexta-feira, setembro 10, 2010
Festas Da Póvoa 2010
Este ano não fugiu à regra, e como tal, as festas correram o melhor possível, sem que algo nos arredores se lhe pudesse comparar em beleza.
Se a guarda de honra prestada pelas cavaleiras à procissão era imponente, não o era menos o conjunto dos burros puxando pelos andores… E que lindos que eles iam!...
É evidente que as últimas imagens são as que ficam retidas na memória, porém não é menos verdade que a afluência às festas em qualquer dos outros dias foi enorme.
Está portanto de parabéns a comissão de festas, especialmente constituída este ano por jovens que, não quiseram deixar os seus pergaminhos por mãos alheias.
Seria bom que os moradores da Póvoa percebessem bem que as pessoas que integram estas comissões, prestam um grande serviço à comunidade empenhando nele o que de melhor têm e sabem.
Enquanto se verificar o entusiasmo que assiste a esta gente, tenho a certeza de que as festas não acabarão, e poderão até servir de rampa de lançamento para outras obras igualmente importantes para a comunidade.
E como não há bela sem se não, quero expressar um lamento pelo facto de o E
LECLERC não ter respondido por escrito, como lhe competia, ao apelo que lhe
fora formulado para participação nas festas, ignorando alguma responsabilidade social que, penso, deveria ser seu apanágio , tanto mais , quanto o movimento criado pelas comissões de festas nas aldeias do concelho , lhes garante por esta altura , alguns milhares de clientes
Quero deixar aqui uma palavra de apreço ao Agostinho Oliveira pelo empréstimo da sua garagem para arranjo dos andores, aos Jerónimos pelo empenhado enfeitamento das ruas, à Lucília e à Irene pela confecção do caldo verde, à D. Augusta e D. Lúcia pela ajuda no enfeitamento das carroças.
E quase por último, a toda a gente que empenhadamente colaborou, sempre que solicitada.
Também os nossos jovens em férias revelaram um comportamento exemplar, demonstrando que esta, não é a tal geração rasca de que tanto se falou. Avante juventude!...
O nosso apreço pelos caminhantes que aderiram ao «passeio dos alegres ».
E então mesmo por último, enaltecemos a marca deixada por esta comissão na sua iniciativa da missa campal.
Já em Lisboa: Zé Macário
quarta-feira, setembro 16, 2009
FESTAS DA PÓVOA 2009
Pelo 4º ano consecutivo, realizaram-se as festas em honra de nossa Sra. do Pranto; e mais uma vez estão de parabéns os festeiros.
Se desde os remotos tempos de Cristo, os burros foram distinguidos com a honra de O aquecer no presépio e levá-Lo em fuga para o Egipto, agora transportaram a imagem da nossa Padroeira e de outros santos, em procissão pelas ruas da aldeia.
Em todas as festas tem havido alguns sinais de inovação, e mais uma vez os festeiros surpreenderam pelo brilhantismo da ideia.
As senhoras com os respectivos Stafs engalanaram as ruas a preceito como se impunha e já vem sendo hábito.
Na vida comunitária da Póvoa houve sempre alguns homens que, informalmente a lideraram. Com a subida das mulheres ao poder, todos percebemos que essa vida social é dirigida ou condicionada por uma certa “vestalidade”( alegoria do autor) porém, nestas festas só uma vestal se mostrou menos entusiasta ou activa.
Os nossos jovens parecem terem tido um mês de farias em cheio, e é louvável a sua unidade em todas as iniciativas; ninguém poderá jamais dizer que esta, é uma juventude rasca.
Quanto aos mais velhos, foi agradável ver a alegria com que receberam a festa e os miminhos que para si se prepararam.
Para o próximo ano lá estaremos se Deus quiser.
Zé Macário
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Nascer e Morrer. O Mote.
É verdade; nada se perde, tudo se transforma. Este teu texto veio mesmo na altura certa, para se falar em transformações. Transformar ou pelo menos dar alguma vida àquilo que noutros tempos teve uma vida intensa, e que por motivos que todos nós conhecemos, se foi degradando, perdendo a sua utilidade e que acabará mesmo por cair e ser coberta por ervas, silvas, sabugueiros e outras plantas que os ratos, pássaros e o próprio vento se encarreguem de para lá levarem as sementes, tal como noutros tempos os nossos pais lá guardavam os cereais.
Estou, como é fácil de perceber, a falar de uma eira, conhecida de todos nós, com o nome de “eira dos Gonçalinhos” esta eira que dispõe de uma casa (casa da eira) está como todos nós sabemos, a cair e sem qualquer tipo de utilidade seja para quem for.
Havendo já uma forte vontade por parte de muitos dos consortes desta eira, em quererem dar vida aquela casa, e animar aquela eira tal, como noutros tempos o foi, é chegada a hora de todos dizermos sim, a este projecto. Os mais cépticos estarão já a ver que irão ficar sem o seu quinhão, naquela eira, provavelmente neste momento, com mais de cem ou duzentos consortes, é difícil de se saber qual o seu quinhão, mas fiquem descansados, que bem pelo contrário, o valor aumenta com a recuperação do imóvel.
Pois bem, voltando então ao texto, com o titulo, “Nascer e morrer” e como muito bem diz o seu autor, Kim Kosta, mesmo com a certeza de que tudo o que nasce morre, mas também de que na vida nada se perde tudo se transforma, aproveitemos então esse principio, e sem receios, transformemos a eira, num local do povo e para o povo, uma vez que neste momento a eira já deve pertencer praticamente a todas as famílias da Póvoa.
Não deixemos cair, e transformar-se numa coisa inútil, uma coisa que é de todos e que como tal poderá ter uma utilidade pública que se possa enquadrar nas necessidades da povoação, e de todos os que se encontrando fora, gostam de passar lá uns dias das suas férias.
Animemos então a Póvoa, reconstruindo e dando vida àquilo que noutros tempos foi dos locais mais alegres, onde o trabalho se misturava com as brincadeiras, tanto nas malhadas, como nos serões das desfolhadas de milho.
Jorge Venâncio
Estou, como é fácil de perceber, a falar de uma eira, conhecida de todos nós, com o nome de “eira dos Gonçalinhos” esta eira que dispõe de uma casa (casa da eira) está como todos nós sabemos, a cair e sem qualquer tipo de utilidade seja para quem for.
Havendo já uma forte vontade por parte de muitos dos consortes desta eira, em quererem dar vida aquela casa, e animar aquela eira tal, como noutros tempos o foi, é chegada a hora de todos dizermos sim, a este projecto. Os mais cépticos estarão já a ver que irão ficar sem o seu quinhão, naquela eira, provavelmente neste momento, com mais de cem ou duzentos consortes, é difícil de se saber qual o seu quinhão, mas fiquem descansados, que bem pelo contrário, o valor aumenta com a recuperação do imóvel.
Pois bem, voltando então ao texto, com o titulo, “Nascer e morrer” e como muito bem diz o seu autor, Kim Kosta, mesmo com a certeza de que tudo o que nasce morre, mas também de que na vida nada se perde tudo se transforma, aproveitemos então esse principio, e sem receios, transformemos a eira, num local do povo e para o povo, uma vez que neste momento a eira já deve pertencer praticamente a todas as famílias da Póvoa.
Não deixemos cair, e transformar-se numa coisa inútil, uma coisa que é de todos e que como tal poderá ter uma utilidade pública que se possa enquadrar nas necessidades da povoação, e de todos os que se encontrando fora, gostam de passar lá uns dias das suas férias.
Animemos então a Póvoa, reconstruindo e dando vida àquilo que noutros tempos foi dos locais mais alegres, onde o trabalho se misturava com as brincadeiras, tanto nas malhadas, como nos serões das desfolhadas de milho.
Jorge Venâncio
quinta-feira, dezembro 04, 2008
O PODER DE UM BLOG
O PODER DE UM BLOG
Quando fui convidado pelo sr. Administrador a colaborar neste blog, longe estava eu de pensar que ele iria ser o responsável pelas obras de restauro e conservação da capela da Póvoa. Tudo começou, porque um dia um amigo meu, professor do Liceu Latino Coelho-Lamego, o Dr. Giordano, entrou na capela com a sua máquina digital e não resistiu a tirar umas fotos, as primeiras que saíram no blog. Amante exímio da arte da fotografia e não menos da arte sacra, confidenciou-me passados uns dias que “era pena se não conservavam as pinturas do tecto, porque valiam bem uma intervenção e o mais rápido possível”.
Como me ofereceu essas fotos, resolvi também partilhá-las com os visitantes do blog. O sr. Jorge Venâncio, logo as apreciou criticamente e, num comentário de então, coincidiu na mesma observação: “Temos que salvar estas pinturas”. O povo da Póvoa reagiu favoravelmente, mas com algum cepticismo e temor, perfeitamente compreensíveis. Onde ir buscar o dinheiro para essa intervenção? E quem vai gerir as complexas burocracias que se antevêem para obras desta natureza? Aliás, a prudência não aconselhava aventuras sem fim à vista.
Surgem opiniões divergentes, mas todas à procura da melhor solução, o que gerou um debate salutar. Era preciso começar. E foi quando eu disse ao sr. Administrador: “Pode contar com o meu apoio, porque pela minha experiência, as obras de Igreja, depois de iniciadas, nunca ficaram por concluir. Há que começar, que o dinheiro aparecerá”. Depois, veio a escolha criteriosa da empresa especializada neste tipo de restauro, a autorização preciosa da Comissão de Arte Sacra Diocesana, a constituição atempada da Comissão de restauro e os donativos surpreendentes das mais diversas proveniências.
Em conclusão, foi uma obra de todos e para todos. Feliz o povo que assim se mobiliza. Não me cabe analisar sociologicamente a realização desta obra memorável. Mas não deixo de a enquadrar naquele tríptico verbal de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, porque amputar a primeira parte desta frase, seria elidir o sentido último das acções do ser humano, independentemente de ser cristão; omitir a segunda, seria desresponsabilizar o homem nas suas obrigações de programar o melhor para a humanidade; esperar que as obras nasçam sem intervenção de ninguém seria viver na ilusão ou na utopia.
Eu entendo que foi, previamente, Deus que o quis e, por isso, nada faltou: nem o sonho nem a obra.
Resta-me felicitar o sr. Administrador do blog, pela “primeira pedra”, diríamos, colocada na construção do projecto (assim concebo o seu alerta inicial para o que era necessário fazer), e agradecer à Comissão de restauro pela ousadia com que se lançaram neste sonho ambicioso e a todos os ofertantes, desde as entidades públicas, aos particulares, aos cidadãos anónimos. Todos podem ficar cientes de que gravaram, com a sua generosidade, letras de ouro na história deste povo.
Pe. Assunção
Quando fui convidado pelo sr. Administrador a colaborar neste blog, longe estava eu de pensar que ele iria ser o responsável pelas obras de restauro e conservação da capela da Póvoa. Tudo começou, porque um dia um amigo meu, professor do Liceu Latino Coelho-Lamego, o Dr. Giordano, entrou na capela com a sua máquina digital e não resistiu a tirar umas fotos, as primeiras que saíram no blog. Amante exímio da arte da fotografia e não menos da arte sacra, confidenciou-me passados uns dias que “era pena se não conservavam as pinturas do tecto, porque valiam bem uma intervenção e o mais rápido possível”.
Como me ofereceu essas fotos, resolvi também partilhá-las com os visitantes do blog. O sr. Jorge Venâncio, logo as apreciou criticamente e, num comentário de então, coincidiu na mesma observação: “Temos que salvar estas pinturas”. O povo da Póvoa reagiu favoravelmente, mas com algum cepticismo e temor, perfeitamente compreensíveis. Onde ir buscar o dinheiro para essa intervenção? E quem vai gerir as complexas burocracias que se antevêem para obras desta natureza? Aliás, a prudência não aconselhava aventuras sem fim à vista.
Surgem opiniões divergentes, mas todas à procura da melhor solução, o que gerou um debate salutar. Era preciso começar. E foi quando eu disse ao sr. Administrador: “Pode contar com o meu apoio, porque pela minha experiência, as obras de Igreja, depois de iniciadas, nunca ficaram por concluir. Há que começar, que o dinheiro aparecerá”. Depois, veio a escolha criteriosa da empresa especializada neste tipo de restauro, a autorização preciosa da Comissão de Arte Sacra Diocesana, a constituição atempada da Comissão de restauro e os donativos surpreendentes das mais diversas proveniências.
Em conclusão, foi uma obra de todos e para todos. Feliz o povo que assim se mobiliza. Não me cabe analisar sociologicamente a realização desta obra memorável. Mas não deixo de a enquadrar naquele tríptico verbal de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, porque amputar a primeira parte desta frase, seria elidir o sentido último das acções do ser humano, independentemente de ser cristão; omitir a segunda, seria desresponsabilizar o homem nas suas obrigações de programar o melhor para a humanidade; esperar que as obras nasçam sem intervenção de ninguém seria viver na ilusão ou na utopia.
Eu entendo que foi, previamente, Deus que o quis e, por isso, nada faltou: nem o sonho nem a obra.
Resta-me felicitar o sr. Administrador do blog, pela “primeira pedra”, diríamos, colocada na construção do projecto (assim concebo o seu alerta inicial para o que era necessário fazer), e agradecer à Comissão de restauro pela ousadia com que se lançaram neste sonho ambicioso e a todos os ofertantes, desde as entidades públicas, aos particulares, aos cidadãos anónimos. Todos podem ficar cientes de que gravaram, com a sua generosidade, letras de ouro na história deste povo.
Pe. Assunção
segunda-feira, dezembro 01, 2008
RESTAURO DA CAPELA (CONTAS FINAIS)
CONTAS FINAIS DAS OBRAS DA CAPELA DA PÓVOA
RECEITAS
-Em caixa ---------------------- 4.926,79€
-Comissão---------------------- 600,00
-Anónimo----------------------- 1.000,00
-Comissão---------------------- 2.235,00
-C. de festas de 2007--------- 2.973,10
-Comissão------------------------3.183,00
(inclui 2.041,00 da C. de Festas de 2006)
-Anónimo ------------------------2.000,00
-Comissão------------------------875,00
(inclui 50,00€ da D.ªLurdes)
-António Alves Pinto------------250,00
-Conselho Dir. dos Baldios---2.500,00
-Ofertas várias-------------------113,60
-Domingos Rasteiro-------------50,00
-Comissão-------------------------250,00
Ofertas várias---------------------69,73
-Comissão ------------------------260,00
TOTAL DE RECEITAS: 21.286,22€
DESPESAS
-Empresa Quadrifólio-------5.735,40€
(1.º pagamento)
- “ “ -------13.382,60
(2.ºpagamento)
(total da empresa:19.118,00 incluindo o IVA)
-António Faustino--------------500,00
(Reparação de estrutura do tecto)
-Electrificação-----------------1.140,00
-Colocação dos projectores---30,00
-Via Sacra------------------------295,00
TOTAL DE DESPESAS: 21.083,00
Saldo positivo de : 203,22€
Nota: A devolução do IVA, (21%) chegou 8 meses depois de ter sido pedida, quando já todos os pagamentos estavam feitos.
3.318,00€
Em caixa: 3.521,22€
V.ªNª de Souto d’El-Rei, 29 de Novembro de 2008
A Comissão de restauro
terça-feira, setembro 23, 2008
Rota da História
Teria com certeza mais de treze anos quando vi pela primeira vez um preto em pessoa; tendo visto até essa altura, somente várias representações imagéticas.
Até essa idade ouvia muitas vezes falar de pretos, principalmente a indivíduos regressados de missões católicas em África, que os descreviam não como pessoas, mas antes, como hoje se descrevem ou representam os marcianos; admitindo-se, quando muito, que fossem criaturas de algum animismo sincrético.
Diga-se de passagem, que sendo os missionários, nessa altura, dos poucos conhecedores da realidade africana, se compraziam de a relatar cá para os papalvos, apimentadamente recheada de vivências e peripécias sobre pessoas, deslocações, caçadas, safaris etc, absolutamente anedóticas.
Entendiam-se os costumes dos nativos não como objecto de culturas ancestrais, mas antes como instintivos hábitos selvagens muito próximos dos macacos, que era necessário submeter, ensinar, educar?... Ensinar, numa clara lógica de supremacia cultural e humanística da raça branca.
Num preto, todos os actos, gestos, costumes, rituais etc., eram risíveis. Riamo-nos dos relatos da sua indumentária, adornos, tatuagens, brincos argolas, guizos etc, colocados nos mais diversos sítios do corpo, por vezes e para tal, objecto de diversos furos e mutilações. Risíveis eram as suas formas de comer em grupo de um mesmo recipiente e directamente com as mãos, sem qualquer garfo ou colher.
Risíveis, também entre nós brancos, as homenagens festivas, expressas nas mais diversas danças, gestos e rituais, que os pretos prestam aos seus “maiores” (Homens grandes), chefes de aldeia, de concelho, de distrito, régulos, feiticeiros etc, a quem – supomos - veneram como ídolos. Como exemplo – remoto - desta forma colectiva de entender os pretos, lembro o vergonhoso facto histórico do aprisionamento e humilhação do Gungunhana.
No entanto, risível, risível, parece-me hoje a forma como os brancos assimilaram todos esses “bárbaros” costumes dos pretos.
Risível, parece-me hoje saber que há brancos com brincos chocalhos, argolas ou arganeis (pircings), colocados em todo o mapa corporal, inclusive orgãos sexuais e até nas bordas do cu?...
Risível, é que esta onda atravesse todos os estratos sociais, incluindo as “elites”. Curiosa e excepcionalmente, nunca vi nenhum militar padre ou bancário, com alguns destes penduricalhos presos às orelhas ou ao nariz, nem tão pouco, usando aquele exótico corte de cabelo tipo crista da galo.
Risíveis, parecem-me ainda as recepções a qualquer politicozeco, acompanhadas de fanfarra, banda, e tantas vezes com utilização das próprias criancinhas em encenações folclóricas, lançando a escada do “Olimpo”, a balofos e inúteis ídolos com pés de barro.
Entristece-me saber adulterada a língua pátria, com substituição do muito pelo bué, e apraz-me saber que os brancos ainda não comem a sopa com as mãos e directamente da panela, sem garfo nem colher.
Não é intenção deste artigo criticar no nosso povo a importação de tão exóticos costumes e artefactos, tanto mais que alguns até nos enriqueceram, principalmente no domínio da música e da dança, mas tão somente evidenciar através destes exemplos como anda a roda da história, praticando nós hoje os actos, que ontem eram objecto da nossa chacota.
Mudam-se os tempos, mudam-se os homens, mudam-se as vontades. Aquilo que ontem era, hoje já não é, e um dia voltará a ser.
Para onde vais mundo ?
Zé Macário
Teria com certeza mais de treze anos quando vi pela primeira vez um preto em pessoa; tendo visto até essa altura, somente várias representações imagéticas.
Até essa idade ouvia muitas vezes falar de pretos, principalmente a indivíduos regressados de missões católicas em África, que os descreviam não como pessoas, mas antes, como hoje se descrevem ou representam os marcianos; admitindo-se, quando muito, que fossem criaturas de algum animismo sincrético.
Diga-se de passagem, que sendo os missionários, nessa altura, dos poucos conhecedores da realidade africana, se compraziam de a relatar cá para os papalvos, apimentadamente recheada de vivências e peripécias sobre pessoas, deslocações, caçadas, safaris etc, absolutamente anedóticas.
Entendiam-se os costumes dos nativos não como objecto de culturas ancestrais, mas antes como instintivos hábitos selvagens muito próximos dos macacos, que era necessário submeter, ensinar, educar?... Ensinar, numa clara lógica de supremacia cultural e humanística da raça branca.
Num preto, todos os actos, gestos, costumes, rituais etc., eram risíveis. Riamo-nos dos relatos da sua indumentária, adornos, tatuagens, brincos argolas, guizos etc, colocados nos mais diversos sítios do corpo, por vezes e para tal, objecto de diversos furos e mutilações. Risíveis eram as suas formas de comer em grupo de um mesmo recipiente e directamente com as mãos, sem qualquer garfo ou colher.
Risíveis, também entre nós brancos, as homenagens festivas, expressas nas mais diversas danças, gestos e rituais, que os pretos prestam aos seus “maiores” (Homens grandes), chefes de aldeia, de concelho, de distrito, régulos, feiticeiros etc, a quem – supomos - veneram como ídolos. Como exemplo – remoto - desta forma colectiva de entender os pretos, lembro o vergonhoso facto histórico do aprisionamento e humilhação do Gungunhana.
No entanto, risível, risível, parece-me hoje a forma como os brancos assimilaram todos esses “bárbaros” costumes dos pretos.
Risível, parece-me hoje saber que há brancos com brincos chocalhos, argolas ou arganeis (pircings), colocados em todo o mapa corporal, inclusive orgãos sexuais e até nas bordas do cu?...
Risível, é que esta onda atravesse todos os estratos sociais, incluindo as “elites”. Curiosa e excepcionalmente, nunca vi nenhum militar padre ou bancário, com alguns destes penduricalhos presos às orelhas ou ao nariz, nem tão pouco, usando aquele exótico corte de cabelo tipo crista da galo.
Risíveis, parecem-me ainda as recepções a qualquer politicozeco, acompanhadas de fanfarra, banda, e tantas vezes com utilização das próprias criancinhas em encenações folclóricas, lançando a escada do “Olimpo”, a balofos e inúteis ídolos com pés de barro.
Entristece-me saber adulterada a língua pátria, com substituição do muito pelo bué, e apraz-me saber que os brancos ainda não comem a sopa com as mãos e directamente da panela, sem garfo nem colher.
Não é intenção deste artigo criticar no nosso povo a importação de tão exóticos costumes e artefactos, tanto mais que alguns até nos enriqueceram, principalmente no domínio da música e da dança, mas tão somente evidenciar através destes exemplos como anda a roda da história, praticando nós hoje os actos, que ontem eram objecto da nossa chacota.
Mudam-se os tempos, mudam-se os homens, mudam-se as vontades. Aquilo que ontem era, hoje já não é, e um dia voltará a ser.
Para onde vais mundo ?
Zé Macário
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Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado. Com o decorrer do tempo e tal como n...
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A aldeia de Juvandes não me é indiferente devido a uma série de acontecimentos; coisas simples, que deixaram marcas felizes na minha memória...