Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado.
Com o decorrer do tempo e tal como na maioria dos blogs, os conteúdos começaram a escassear, os colaboradores, mais ou menos foram abandonando a sua participação, e deste modo o blogue sobre a nossa terra, continuou a ser visitado por muita gente, mas já sem aquele interesse que houve inicialmente.
Recentemente, alguém me perguntou, se o blogue tinha sido abandonado, uma vez que não via tantas e tantas daquelas histórias da sua meninice que a fizeram a delicia de todos nós; aquelas recordações de um tempo em que não havia, computadores, não havia brinquedos, um par de sapatos tinha que ter dois números acima para durarem dois ou três anos, etc, etc, etc. Respondi, que o blogue não tinha sido encerrado, mas que realmente, tal como a maioria dos blogues, teve o seu tempo e agora se preparava para morrer, com os conteúdos que ao longo destes cinco ou seis anos, as pessoas foram partilhando.
A pessoa em questão disse-me: É uma pena, de vez em quando passava por lá para reler mais um ou outro texto, que me faziam tão bem. Há alguns que quase os decorei.
A mensagem não caiu no esquecimento e aproveitando a oportunidade, lembrei-me de fazer um apelo a todos os filhos, da terra, a todos os netos, a todos os amigos, que queiram aqui postar as suas histórias, colocar videos, fotos e tudo o que desejarem alusivo, á Povoa, nossa terra, que se disponibilizem para o fazer; eu encarregar-me-ei de vos dar o a cesso para poderem colocar tudo o que desejarem.
Só para informação, e porque apenas eu como administrador tenho acesso a esses dados, esta página ainda ontem foi visitada por 71 visitantes, dos quais 26 se encontram fora de Portugal.
A todos os interessados em participar, solicito que enviem um mail para: jmoven@gmail.com
a solicitar o acesso, para poderem colocar todos os conteúdos e toda a informação, como o devem fazer, vos será dada.
Um abraço para todos.
Blog de Povoa de Vila Nova de Souto D'El-Rei.---- Falando da Póvoa. É uma terra singular, um caso particular de um povo antigo acolhedor e amigo ... Esta terra também é minha de todas a rainha é onde repouso e descanso, e reponho a memória da nossa antiga história, contada nos caminhos, nos atalhos e nos velhos telhados. .... Falando da sua gente Em: http://www.povoavilanovasoutodelrei.pt.la Herminia Gonçalinho
csm
terça-feira, setembro 15, 2015
quarta-feira, outubro 02, 2013
domingo, setembro 29, 2013
Musica para ouvir no silêncio da noite
Musica para ouvir no silêncio da noite
Para ouvir as musicas, clique no link em baixo e depois em: "Compreendo e pretendo continuar"
http://www.blogger.com/blogin.g?blogspotURL=http://sonsnosilencio.blogspot.pt/
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PAULA ESCREVEU SOBRE A POVOA
Paula disse...
Póvoa, cantinho de paz, de lembranças, de amor pela natureza. Póvoa é onde nos encontramos com nós próprios.Passei lá todas as minhas férias grandes e muitas épocas festivas, como o Natal e Páscoa.Foi na Póvoa que aprendi, com os rapazes, a assobiar, aprendi a nadar, no rio Balsemão, com as suas águas geladas e de seixos que feriam os pés, mas que eu adorava. Descia, juntamente com a Rita (amiga de Vila Real que também ali passava férias), o Souto até ao rio sempre contente e sem me preocupar com o percurso imenso que tanto custava mas não deixava de fazer.Foi naquela aldeia que fiz grandes amizades, a Nela e a Lurdes. Também tinham férias “grandes” mas era neste período que tinham mais tempo para ajudarem na lida da casa, na lavoura ou no tratamento do gado.Para estarmos juntas íamos todas para o monte e, enquanto as vacas pastavam calmamente, nós conversávamos e brincávamos. À noite brincávamos às escondidas, saltávamos à corda. Éramos muitos, a Dília, a Paula, o Jorge, o Rui, o João, o Fernando, o Nelson a Leonor, a Lurdes, a Cristina e tantos outros.Já na adolescência, os namoricos tomaram o seu percurso normal.Crescemos, casamos …E a responsabilidade do emprego, da família, dos filhos que vieram e encheram a nossa vida de uma outra forma, fez-nos esquecer como foram boas aquelas férias “grandes”.Porque é necessário levar os “putos” à escola, porque hoje o trânsito está infernal, porque é preciso ir às compras, porque há aquelas contas para pagar, porque hoje o Nuno tem natação, porque a Joana tem música, porque hoje é domingo e é preciso levar os miúdos à catequese, porque, porque, porque…Hoje parei por momentos e sentei-me no sofá, no intervalo da natação e da música. Uma nostalgia serena percorreu-me todo o corpo arrepiando-me. Quero voltar à Póvoa, tenho saudades. Quero olhar pela manhã o soito, com o sol a bater no monte, ainda meio adormecido, como que a espreguiçar-se, esticando os seus braços, sobre os castanheiros e fazendo lembrar aos passarinhos que são horas de procurar alimento e o chilrear ecoa pelo monte numa melodiosa sinfonia.Quero levar o Nuno e a Joana num passeio pelo pinhal e mostrar-lhe a paleta de cores que a natureza usa e modifica sempre que a Estação é outra.Aqueles tons castanhos, laranja e vermelhos do Outono; os mais variados verdes do Verão e todo o arco-íris das flores, fazendo com que cada uma seja mais bela do que outra, tentando captar a atenção dos insectos que rodopiam numa grande azáfama.Quero que cheirem a terra molhada os fenos secos. Quero que o avô Costa conte as suas fantásticas estórias da mocidade e nos retrate um pouco o nosso passado, por vezes difícil de entender. Quero levá-los ao berço da Moura e ao pico do monte. Quero que eles conheçam outras realidades diferentes das suas, onde as crianças, em vez de uma playstation jogam cartas enquanto o gado pasta no monte, que em vez de aulas de música, sabem, como ninguém, distinguir o canto dos pássaros e os imitam na perfeição. Quero que vejam a neve nos beirais e quero acordá-los a meio da noite para verem os flocos a cair. Quero olhar para o céu e contar as estrelas. Quero ter tempo e espaço para não pensar, só para ver e escutar.Quero ir à Póvoa………………..Teresa Paula
Póvoa, cantinho de paz, de lembranças, de amor pela natureza. Póvoa é onde nos encontramos com nós próprios.Passei lá todas as minhas férias grandes e muitas épocas festivas, como o Natal e Páscoa.Foi na Póvoa que aprendi, com os rapazes, a assobiar, aprendi a nadar, no rio Balsemão, com as suas águas geladas e de seixos que feriam os pés, mas que eu adorava. Descia, juntamente com a Rita (amiga de Vila Real que também ali passava férias), o Souto até ao rio sempre contente e sem me preocupar com o percurso imenso que tanto custava mas não deixava de fazer.Foi naquela aldeia que fiz grandes amizades, a Nela e a Lurdes. Também tinham férias “grandes” mas era neste período que tinham mais tempo para ajudarem na lida da casa, na lavoura ou no tratamento do gado.Para estarmos juntas íamos todas para o monte e, enquanto as vacas pastavam calmamente, nós conversávamos e brincávamos. À noite brincávamos às escondidas, saltávamos à corda. Éramos muitos, a Dília, a Paula, o Jorge, o Rui, o João, o Fernando, o Nelson a Leonor, a Lurdes, a Cristina e tantos outros.Já na adolescência, os namoricos tomaram o seu percurso normal.Crescemos, casamos …E a responsabilidade do emprego, da família, dos filhos que vieram e encheram a nossa vida de uma outra forma, fez-nos esquecer como foram boas aquelas férias “grandes”.Porque é necessário levar os “putos” à escola, porque hoje o trânsito está infernal, porque é preciso ir às compras, porque há aquelas contas para pagar, porque hoje o Nuno tem natação, porque a Joana tem música, porque hoje é domingo e é preciso levar os miúdos à catequese, porque, porque, porque…Hoje parei por momentos e sentei-me no sofá, no intervalo da natação e da música. Uma nostalgia serena percorreu-me todo o corpo arrepiando-me. Quero voltar à Póvoa, tenho saudades. Quero olhar pela manhã o soito, com o sol a bater no monte, ainda meio adormecido, como que a espreguiçar-se, esticando os seus braços, sobre os castanheiros e fazendo lembrar aos passarinhos que são horas de procurar alimento e o chilrear ecoa pelo monte numa melodiosa sinfonia.Quero levar o Nuno e a Joana num passeio pelo pinhal e mostrar-lhe a paleta de cores que a natureza usa e modifica sempre que a Estação é outra.Aqueles tons castanhos, laranja e vermelhos do Outono; os mais variados verdes do Verão e todo o arco-íris das flores, fazendo com que cada uma seja mais bela do que outra, tentando captar a atenção dos insectos que rodopiam numa grande azáfama.Quero que cheirem a terra molhada os fenos secos. Quero que o avô Costa conte as suas fantásticas estórias da mocidade e nos retrate um pouco o nosso passado, por vezes difícil de entender. Quero levá-los ao berço da Moura e ao pico do monte. Quero que eles conheçam outras realidades diferentes das suas, onde as crianças, em vez de uma playstation jogam cartas enquanto o gado pasta no monte, que em vez de aulas de música, sabem, como ninguém, distinguir o canto dos pássaros e os imitam na perfeição. Quero que vejam a neve nos beirais e quero acordá-los a meio da noite para verem os flocos a cair. Quero olhar para o céu e contar as estrelas. Quero ter tempo e espaço para não pensar, só para ver e escutar.Quero ir à Póvoa………………..Teresa Paula
sexta-feira, agosto 31, 2012
Festas da Póvoa 2012
Festas da Póvoa 2012
Regressado
de férias, faço, como habitualmente, o
meu comentário às festas da Póvoa.
Eu
tinha interiorizado a ideia de que, talvez daqui a uma década, as festas
deixassem de se realizar por falta de promotores. Longe de mim porém, a ideia
de que isso pudesse acontecer tão cedo.
Não
obstante o respeito que deveria merecer a deslocação de tantos filhos da Terra,
a estas já «tradicionais» festividades, parece que assim não o entenderam as
pessoas nomeadas como comissão promotora.
É
pena que agora, que parecia ter-se reiniciado o desenvolvimento de um novo
espírito comunitário, as coisas fossem suspensas tão depressa.
Ao
que fui informado, já teria acontecido o mesmo com a peregrinação da Sra. da
Lapa, não fora alguém oferecer-se como substituto do indigitado, para salvar a
« honra do convento».
Permitam-me
meus caros «compoveiros» que relembre o seguinte facto histórico ou lendário:
A
peregrinação à Sra. da Lapa foi um compromisso que os nossos ancestrais – da
Póvoa, Juvandes e Melcões – fizeram por si e pelos seus vindouros, em «troca»
da eliminação de uma qualquer peste dos castanheiros; o que significa que,
honrando a palavra dos nossos avós, deveríamos continuar a assumir tal
compromisso.
Parabéns
por isso aos Homens que ainda não deixaram desta vez que tal compromisso fosse
quebrado!
Pelo
menos neste particular, são Homens que têm os «palmos da lei» e que devem ser
exaltados por isso !...
Costumamos
dizer que Portugal é um grande Povo, porque deu novos mundos ao mundo...
Ora,
isto não é mais do que sentirmo-nos grandes, não pelos nossos feitos hodiernos,
mas sim porque vestimos, imerecidamente, as calças, já «esfrangalhadas», dos
nossos «icosavós» do século XV, sem reparar-mos sequer no ridículo que é a
situação, de nos sobrarem calças e não aumentar a estatura.
É patético apropriarmo-nos de uma herança
cujos preceitos testamentários não cumprimos. Mas, enfim!...
Entendo
como muito fantasioso o ensino da História de Portugal que me foi ministrado na
minha instrução primária, tendo no entanto por objectivo incutir-me – e
conseguiu - os valores da honra, da
dignidade, engrandecimento da Pátria e seus símbolos, e defesa de seus legados
e compromissos «testamentários». Confesso que esse ensino me empolgou, e por
isso, aqui evoco alguns exemplos:
a) - Nos primórdios da nossa
história, por altura do cerco a Guimarães, Egas Moniz – aio de D. Afonso
Henriques e ao que se pensa, nosso conterrâneo – assumiu perante o rei de Leão,
para que este monarca levantasse o respectivo cerco, o compromisso de que seu
amo lhe prestaria vassalagem. Como D. Afonso Henriques se furtara ao
cumprimento do acordado, Egas Moniz foi, de baraço ao pescoço, oferecer ao rei
de Leão, a vida sua e dos seus, como penhor da palavra dada.
b) - Era dia l de Março de
l476, decorria a batalha de Toro entre tropas
portuguesas e castelhanas, com grande superioridade numérica destas.
Quando o alferes Duarte de Almeida tenta libertar a
bandeira portuguesa do vilipendio
espanhol, é lhe decepado o braço direito, e ele defendeu-a só com o braço esquerdo, e, «ignorando» ainda
heroicamente no calor da refrega, a perda deste segundo braço, defendeu-a com
os dentes, não deixando que fosse ignominiosamente enxovalhada pelo inimigo.
c) - D. João De Castro, vice
rei da Índia entre l5OO e l548, dirigiu uma carta aos habitantes de Goa
solicitando um empréstimo para a construção da fortaleza de Diu, oferecendo
como penhor as suas barbas.
Recebeu dos Goeses uma soma muito maior do que
solicitara, e a devolução do penhor.
Eram
estes ensinamentos, talvez muito fantasiados, que tanto me empolgavam.
Sim, empolgavam-me tanto,
quanto me entristece hoje saber que, principalmente aqueles que mais ufanamente
se pavoneiam entre a comunidade, exibindo as suas «filactérias com as gravações
dos preceitos da lei», se demitem tão facilmente das responsabilidades comunitárias que lhes são
atribuídas, e deviam assumir.
Zé Macário
31/08/2012
sábado, setembro 10, 2011
FESTA DA PÓVOA 2011
Ora lá estive mais uma vez na Póvoa, nas festas de Nossa Senhora do Pranto.
Três dias antes das festas, só havia quatro carros estacionados na aldeia.
Um dia antes das festas se iniciarem, o trânsito já estava todo congestionado pelos carros estacionados, e um dia depois das mesmas, a aldeia estava novamente deserta – o que quer dizer que muita gente se deslocou à Póvoa exclusivamente para participar nos festejos.
Embora um pouco menos animadas do que em anos anteriores – talvez pelo espírito da crise – decorreram no entanto com mais uma inovação.
A novidade deste ano foi a actuação de bombos e gigantones, que, com esmero, deram mais algum colorido às festividades. Pena que não fossem – como deviam – acompanhados pelos mordomos.
A missa campal – que começou meia hora mais tarde do que o anunciado - teria sido a beleza sintetizada, com actuação de um coro afinadíssimo, não fora o longo e enfadonho discurso do pregador, que, com os ombros vergados pelo carrego dos títulos (padre, doutor, vice-reitor, cónego) a deslustrou um pouco, perdido que esteve na baba das palavras, saturando as pessoas, e não encontrando forma de acabar.
Com o dinheiro que habitualmente se paga pelo sermão, poder-se-ia ter contratado um eloquente crisólogo.
A procissão foi lindíssima – como sempre.
A tarefa dos festeiros está cada vez mais facilitada, o que constitui motivo para que as festas atinjam cada vez maior brilho - pelo menos assim o esperamos todos.
Porém, porque considero muito importante a simbologia das coisas e a linguagem dos símbolos, teço ainda o seguinte comentário:
- Considero que, quando a seguir à alvorada, a banda dá a volta ao povo, vai fazer uma saudação festiva a todos e a cada morador, pelo que acho que as pessoas deviam sair à porta, e receber e corresponder a essa saudação. Ora como tal não tem acontecido, isso pode reflectir alguma falta de cortesia.
Se pode constituir motivo de «ofensa», a banda deixar algum morador sem visita, também não me parece curial que as pessoas não correspondam às respectivas saudações.
Estranha, foi a ausência de Jorge Venâncio, principal entusiasta das festas – ao que parece por impossibilidade pessoal.
Também estranhei muito não ver este ano caminhar todos inchados à frente da procissão, o presidente da junta e um tal Amândio – talvez reflexo do descrédito a que o povo começa a votar estes autarcas.
Pró ano lá estaremos, se Deus quiser.
Zé Macário
2011-09-03
O ZÉ FOI ENGANADO
Evidentemente, pode dizer-se já que o Zé foi enganado outra vez.
Não, não me enganei, porque não acredito em políticos, e muito menos nos de aviário, isto é, aqueles que nasceram no seio dos partidos, e aprenderam a colar cartazes, quando deviam frequentar a escola.
O que se esperava de Passos Coelho, era que fizesse uma revisão constitucional, e com ela, uma profunda reforma do estado.
Foi isso que foi prometido em campanha eleitoral, e era isso que era absolutamente necessário. O estado social não pode subsistir tal como está.
Ao mostrar-se incapaz de reduzir fortemente as despesas do estado, este governo não vai chegar ao fim da legislatura. Eu já não lhe dou o prometido benefício da dúvida.
Pela segunda vez na minha vida dou razão aos comunistas, quando dizem que este governo está a asfixiar os portugueses que vivem dos rendimentos do trabalho, enquanto asfixiam também a possibilidade de desenvolvimento da economia.
Não, este governo não pode durar muito.
Os socialistas apoiaram a incompetência e as mentiras de Sócrates até ao fim…
Esperemos que os sociais-democratas não apoiem até ao fim, a política errada deste governo.
Aliás, começaram já a ouvir-se as reclamações das pessoas mais avalizadas, mais respeitáveis e mais credíveis do partido.
Temos todos de vir à rua e juntar em uníssono àquelas vozes, as vozes de todos os portugueses.
Queremos que seja posta em marcha a política em que votamos, e que nos foi prometida pelos vencedores, em campanha eleitoral.
O PSD que resolva isto enquanto está a tempo, formando um governo com gente capaz de cumprir as promessas feitas.
Deixar passar muito tempo não resolve nada, só complica, e nós não estamos em tempo de poder perder tempo.
Pense-se bem quanto o país poderia ter lucrado se tivesse acabado com o governo socialista dois ou três anos antes, e o tivesse substituído por gente capaz.
O pessoal quando sair à rua, não pode dispersar exigências, mas exigir simplesmente que se cumpra o que foi prometido em campanha eleitoral, isto é, que se reduzam drasticamente as despesas do estado.
E não é com atitudes demagógicas de viajar de avião em segunda classe, para fingir que se poupam uns trocos. Não, não é com demagogia, mas com medidas a sério!
Os homens do governo sabem bem o que o país precisa e o que devem fazer, e se o não fazem, e rapidamente, é só por falta de coragem.
Ainda se pode corrigir a trajectória, mas a cada dia que passa o país vai submergindo.
Mais ainda, os governos em Portugal duram o tempo que os comunistas quiserem, e se o partido comunista se dispôs a engolir os «sapos» do PS, nunca estará disposto a engolir os do PSD.
Zé Macário
2011 / 09 / 08
TEMPOS QUE JÁ LÁ VÃO
Decorria a década de 50 do século passado, paroquiava Várzea De Abrunhais um tal padre Soeiro – que Deus tenha na sua glória.
Homem de quem se dizia ser grande barrasco, e não perder a oportunidade de cobrir as necessidades de qualquer rata de sacristia ou mesmo de confessionário. Homem às direitas, teria mesmo – se bem me lembro - assumido a paternidade dos filhos.
Ora, padreando assim com tanto zelo e caridade, tinha nesta freguesia a aversão dos homens, e grande simpatia entre as mulheres mais formosas e mais «necessitadas».
Lembro-me dele já muito velho e muito surdo.
Uma vez veio à Póvoa celebrar missa, em substituição do padre João Mendes, tendo como acólitos o Zé Duarte e o Joaquim Piedade.
Altissonante, de braço apontado na direcção do Zé Duarte, começou a homilia pela seguinte frase – repetida aliás ao longo de todo o sermão:
- Homem, paga-me o que me deves!...
Como era muito surdo, ignorava em muito o ambiente que o rodeava, e o Joaquim Piedade aproveitando-se desse facto, exortava o Zé Duarte a que lhe pagasse.
O Zé Duarte escondia o riso com a cara entre as mãos, envergonhado com o caricato da situação…
O padre repetia-se…
E o Joaquim Piedade incitava o Zé Duarte para que pagasse ao homem.
O padre voltava a repetir a frase, e o Joaquim Piedade insistia: - Paga-lhe, porque ele não se cala!
A prática foi assim uma gargalhada geral do princípio ao fim, pela cómica situação, gerada pela acção daqueles três actores.
Momento «teatral» digno de um Solnado!...
Foi o dia que mais gostei de ir à missa, e teria mesmo sido capaz de pagar para assistir àquele momento.
Muitos anos depois, e a título póstumo, obrigado aos actores.
Zé Macário
2011 / 09 / 04
sábado, setembro 03, 2011
segunda-feira, dezembro 20, 2010
sexta-feira, setembro 24, 2010
Comemorações do Centenário da República
Até há muito poucos anos atrás, víamos pela televisão nos dias 5 de Outubro de todos os anos, dois ou três «velhos marretas» republicanos, a depositar ramos de flores junto ao busto da república; nunca tendo eu percebido o que celebravam afinal aqueles «marretas».
Todo o país era condescendente com o divertimento daqueles velhinhos, aparecendo na televisão na prática de tais actos, sem a isso se atribuir qualquer significado, que não o divertimento desses pobres.
Pensei que com o desaparecimento daqueles velhos republicanos, teria desaparecido a república, ou pelo menos o tal sentimento ou ideal republicano; verificando agora que afinal, tal parece não ser verdade, pois está decretado para este ano, o jubileu das celebrações do centenário da república.
Com que júbilo se pode celebrar um regime --que embora centenário – nasceu em crise, viveu sempre em crise e continua em crise?
É porém certo e sabido que muitas famílias oportunistas enriqueceram com o regime republicano, tendo como consequência o empobrecimento da maioria, como sempre acontece. E manda-nos a classe política dominante – a tal que mama sôfrega nas tetas do regime – que celebremos a republica… Brindou-nos sempre a republica com políticos medíocres, e nós celebramos…Brinda-nos o 25 de Abril com políticos incompetentes e nós celebramos… E eles incham mais e mais!
Perdemos a ideia de pátria, de país, de fronteira, e esquecemo-nos de símbolos como o hino nacional e a bandeira, mas celebramos a república e o 25 de Abril sempre…Que povo é este, meu Deus? Que povo é este?
Se algum dia fomos alguém, se fomos um império, se conquistamos mares e novos mundos ao mundo, foi com a monarquia.
Que haveremos nós de celebrar com o regime republicano ou com o 25 de Abril?
Que fomos mal governados em todo o tempo do regime republicano, é a verdade que todos os governos da república afirmam de todos os outros governos da mesma república; aliás todas as campanhas eleitorais se baseiam em dizer mal dos outros governos.
Após o 25 de Abril destruíram-se as escolas profissionais, a agricultura, a pesca e boa parte do tecido produtivo, enquanto o país é agora um imenso matagal, pasto perfeito para chamas dos incêndios de verão.
O desemprego crassa e cresce, e a breve trecho pode acontecer uma desagregação social; e a república rejubila, festeja, celebra e comemora!...
Acaso os escândalos de corrupção, de pedofilia, a ineficácia da justiça, nos dão algum motivo de celebração? Ou será tudo isto a tal ética republicana?...
Estamos em crise, mas iremos celebrar em júbilo, e gastar, gastar, gastar!...
Como diria outro medíocre republicano, é a vida!
Lisboa 19 de Setembro de 2010
Até há muito poucos anos atrás, víamos pela televisão nos dias 5 de Outubro de todos os anos, dois ou três «velhos marretas» republicanos, a depositar ramos de flores junto ao busto da república; nunca tendo eu percebido o que celebravam afinal aqueles «marretas».
Todo o país era condescendente com o divertimento daqueles velhinhos, aparecendo na televisão na prática de tais actos, sem a isso se atribuir qualquer significado, que não o divertimento desses pobres.
Pensei que com o desaparecimento daqueles velhos republicanos, teria desaparecido a república, ou pelo menos o tal sentimento ou ideal republicano; verificando agora que afinal, tal parece não ser verdade, pois está decretado para este ano, o jubileu das celebrações do centenário da república.
Com que júbilo se pode celebrar um regime --que embora centenário – nasceu em crise, viveu sempre em crise e continua em crise?
É porém certo e sabido que muitas famílias oportunistas enriqueceram com o regime republicano, tendo como consequência o empobrecimento da maioria, como sempre acontece. E manda-nos a classe política dominante – a tal que mama sôfrega nas tetas do regime – que celebremos a republica… Brindou-nos sempre a republica com políticos medíocres, e nós celebramos…Brinda-nos o 25 de Abril com políticos incompetentes e nós celebramos… E eles incham mais e mais!
Perdemos a ideia de pátria, de país, de fronteira, e esquecemo-nos de símbolos como o hino nacional e a bandeira, mas celebramos a república e o 25 de Abril sempre…Que povo é este, meu Deus? Que povo é este?
Se algum dia fomos alguém, se fomos um império, se conquistamos mares e novos mundos ao mundo, foi com a monarquia.
Que haveremos nós de celebrar com o regime republicano ou com o 25 de Abril?
Que fomos mal governados em todo o tempo do regime republicano, é a verdade que todos os governos da república afirmam de todos os outros governos da mesma república; aliás todas as campanhas eleitorais se baseiam em dizer mal dos outros governos.
Após o 25 de Abril destruíram-se as escolas profissionais, a agricultura, a pesca e boa parte do tecido produtivo, enquanto o país é agora um imenso matagal, pasto perfeito para chamas dos incêndios de verão.
O desemprego crassa e cresce, e a breve trecho pode acontecer uma desagregação social; e a república rejubila, festeja, celebra e comemora!...
Acaso os escândalos de corrupção, de pedofilia, a ineficácia da justiça, nos dão algum motivo de celebração? Ou será tudo isto a tal ética republicana?...
Estamos em crise, mas iremos celebrar em júbilo, e gastar, gastar, gastar!...
Como diria outro medíocre republicano, é a vida!
Lisboa 19 de Setembro de 2010
sexta-feira, setembro 10, 2010
Festas Da Póvoa 2010
Este ano não fugiu à regra, e como tal, as festas correram o melhor possível, sem que algo nos arredores se lhe pudesse comparar em beleza.
Se a guarda de honra prestada pelas cavaleiras à procissão era imponente, não o era menos o conjunto dos burros puxando pelos andores… E que lindos que eles iam!...
É evidente que as últimas imagens são as que ficam retidas na memória, porém não é menos verdade que a afluência às festas em qualquer dos outros dias foi enorme.
Está portanto de parabéns a comissão de festas, especialmente constituída este ano por jovens que, não quiseram deixar os seus pergaminhos por mãos alheias.
Seria bom que os moradores da Póvoa percebessem bem que as pessoas que integram estas comissões, prestam um grande serviço à comunidade empenhando nele o que de melhor têm e sabem.
Enquanto se verificar o entusiasmo que assiste a esta gente, tenho a certeza de que as festas não acabarão, e poderão até servir de rampa de lançamento para outras obras igualmente importantes para a comunidade.
E como não há bela sem se não, quero expressar um lamento pelo facto de o E
LECLERC não ter respondido por escrito, como lhe competia, ao apelo que lhe
fora formulado para participação nas festas, ignorando alguma responsabilidade social que, penso, deveria ser seu apanágio , tanto mais , quanto o movimento criado pelas comissões de festas nas aldeias do concelho , lhes garante por esta altura , alguns milhares de clientes
Quero deixar aqui uma palavra de apreço ao Agostinho Oliveira pelo empréstimo da sua garagem para arranjo dos andores, aos Jerónimos pelo empenhado enfeitamento das ruas, à Lucília e à Irene pela confecção do caldo verde, à D. Augusta e D. Lúcia pela ajuda no enfeitamento das carroças.
E quase por último, a toda a gente que empenhadamente colaborou, sempre que solicitada.
Também os nossos jovens em férias revelaram um comportamento exemplar, demonstrando que esta, não é a tal geração rasca de que tanto se falou. Avante juventude!...
O nosso apreço pelos caminhantes que aderiram ao «passeio dos alegres ».
E então mesmo por último, enaltecemos a marca deixada por esta comissão na sua iniciativa da missa campal.
Já em Lisboa: Zé Macário
quarta-feira, setembro 16, 2009
FESTAS DA PÓVOA 2009
Pelo 4º ano consecutivo, realizaram-se as festas em honra de nossa Sra. do Pranto; e mais uma vez estão de parabéns os festeiros.
Se desde os remotos tempos de Cristo, os burros foram distinguidos com a honra de O aquecer no presépio e levá-Lo em fuga para o Egipto, agora transportaram a imagem da nossa Padroeira e de outros santos, em procissão pelas ruas da aldeia.
Em todas as festas tem havido alguns sinais de inovação, e mais uma vez os festeiros surpreenderam pelo brilhantismo da ideia.
As senhoras com os respectivos Stafs engalanaram as ruas a preceito como se impunha e já vem sendo hábito.
Na vida comunitária da Póvoa houve sempre alguns homens que, informalmente a lideraram. Com a subida das mulheres ao poder, todos percebemos que essa vida social é dirigida ou condicionada por uma certa “vestalidade”( alegoria do autor) porém, nestas festas só uma vestal se mostrou menos entusiasta ou activa.
Os nossos jovens parecem terem tido um mês de farias em cheio, e é louvável a sua unidade em todas as iniciativas; ninguém poderá jamais dizer que esta, é uma juventude rasca.
Quanto aos mais velhos, foi agradável ver a alegria com que receberam a festa e os miminhos que para si se prepararam.
Para o próximo ano lá estaremos se Deus quiser.
Zé Macário
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Nascer e Morrer. O Mote.
É verdade; nada se perde, tudo se transforma. Este teu texto veio mesmo na altura certa, para se falar em transformações. Transformar ou pelo menos dar alguma vida àquilo que noutros tempos teve uma vida intensa, e que por motivos que todos nós conhecemos, se foi degradando, perdendo a sua utilidade e que acabará mesmo por cair e ser coberta por ervas, silvas, sabugueiros e outras plantas que os ratos, pássaros e o próprio vento se encarreguem de para lá levarem as sementes, tal como noutros tempos os nossos pais lá guardavam os cereais.
Estou, como é fácil de perceber, a falar de uma eira, conhecida de todos nós, com o nome de “eira dos Gonçalinhos” esta eira que dispõe de uma casa (casa da eira) está como todos nós sabemos, a cair e sem qualquer tipo de utilidade seja para quem for.
Havendo já uma forte vontade por parte de muitos dos consortes desta eira, em quererem dar vida aquela casa, e animar aquela eira tal, como noutros tempos o foi, é chegada a hora de todos dizermos sim, a este projecto. Os mais cépticos estarão já a ver que irão ficar sem o seu quinhão, naquela eira, provavelmente neste momento, com mais de cem ou duzentos consortes, é difícil de se saber qual o seu quinhão, mas fiquem descansados, que bem pelo contrário, o valor aumenta com a recuperação do imóvel.
Pois bem, voltando então ao texto, com o titulo, “Nascer e morrer” e como muito bem diz o seu autor, Kim Kosta, mesmo com a certeza de que tudo o que nasce morre, mas também de que na vida nada se perde tudo se transforma, aproveitemos então esse principio, e sem receios, transformemos a eira, num local do povo e para o povo, uma vez que neste momento a eira já deve pertencer praticamente a todas as famílias da Póvoa.
Não deixemos cair, e transformar-se numa coisa inútil, uma coisa que é de todos e que como tal poderá ter uma utilidade pública que se possa enquadrar nas necessidades da povoação, e de todos os que se encontrando fora, gostam de passar lá uns dias das suas férias.
Animemos então a Póvoa, reconstruindo e dando vida àquilo que noutros tempos foi dos locais mais alegres, onde o trabalho se misturava com as brincadeiras, tanto nas malhadas, como nos serões das desfolhadas de milho.
Jorge Venâncio
Estou, como é fácil de perceber, a falar de uma eira, conhecida de todos nós, com o nome de “eira dos Gonçalinhos” esta eira que dispõe de uma casa (casa da eira) está como todos nós sabemos, a cair e sem qualquer tipo de utilidade seja para quem for.
Havendo já uma forte vontade por parte de muitos dos consortes desta eira, em quererem dar vida aquela casa, e animar aquela eira tal, como noutros tempos o foi, é chegada a hora de todos dizermos sim, a este projecto. Os mais cépticos estarão já a ver que irão ficar sem o seu quinhão, naquela eira, provavelmente neste momento, com mais de cem ou duzentos consortes, é difícil de se saber qual o seu quinhão, mas fiquem descansados, que bem pelo contrário, o valor aumenta com a recuperação do imóvel.
Pois bem, voltando então ao texto, com o titulo, “Nascer e morrer” e como muito bem diz o seu autor, Kim Kosta, mesmo com a certeza de que tudo o que nasce morre, mas também de que na vida nada se perde tudo se transforma, aproveitemos então esse principio, e sem receios, transformemos a eira, num local do povo e para o povo, uma vez que neste momento a eira já deve pertencer praticamente a todas as famílias da Póvoa.
Não deixemos cair, e transformar-se numa coisa inútil, uma coisa que é de todos e que como tal poderá ter uma utilidade pública que se possa enquadrar nas necessidades da povoação, e de todos os que se encontrando fora, gostam de passar lá uns dias das suas férias.
Animemos então a Póvoa, reconstruindo e dando vida àquilo que noutros tempos foi dos locais mais alegres, onde o trabalho se misturava com as brincadeiras, tanto nas malhadas, como nos serões das desfolhadas de milho.
Jorge Venâncio
quinta-feira, dezembro 04, 2008
O PODER DE UM BLOG
O PODER DE UM BLOG
Quando fui convidado pelo sr. Administrador a colaborar neste blog, longe estava eu de pensar que ele iria ser o responsável pelas obras de restauro e conservação da capela da Póvoa. Tudo começou, porque um dia um amigo meu, professor do Liceu Latino Coelho-Lamego, o Dr. Giordano, entrou na capela com a sua máquina digital e não resistiu a tirar umas fotos, as primeiras que saíram no blog. Amante exímio da arte da fotografia e não menos da arte sacra, confidenciou-me passados uns dias que “era pena se não conservavam as pinturas do tecto, porque valiam bem uma intervenção e o mais rápido possível”.
Como me ofereceu essas fotos, resolvi também partilhá-las com os visitantes do blog. O sr. Jorge Venâncio, logo as apreciou criticamente e, num comentário de então, coincidiu na mesma observação: “Temos que salvar estas pinturas”. O povo da Póvoa reagiu favoravelmente, mas com algum cepticismo e temor, perfeitamente compreensíveis. Onde ir buscar o dinheiro para essa intervenção? E quem vai gerir as complexas burocracias que se antevêem para obras desta natureza? Aliás, a prudência não aconselhava aventuras sem fim à vista.
Surgem opiniões divergentes, mas todas à procura da melhor solução, o que gerou um debate salutar. Era preciso começar. E foi quando eu disse ao sr. Administrador: “Pode contar com o meu apoio, porque pela minha experiência, as obras de Igreja, depois de iniciadas, nunca ficaram por concluir. Há que começar, que o dinheiro aparecerá”. Depois, veio a escolha criteriosa da empresa especializada neste tipo de restauro, a autorização preciosa da Comissão de Arte Sacra Diocesana, a constituição atempada da Comissão de restauro e os donativos surpreendentes das mais diversas proveniências.
Em conclusão, foi uma obra de todos e para todos. Feliz o povo que assim se mobiliza. Não me cabe analisar sociologicamente a realização desta obra memorável. Mas não deixo de a enquadrar naquele tríptico verbal de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, porque amputar a primeira parte desta frase, seria elidir o sentido último das acções do ser humano, independentemente de ser cristão; omitir a segunda, seria desresponsabilizar o homem nas suas obrigações de programar o melhor para a humanidade; esperar que as obras nasçam sem intervenção de ninguém seria viver na ilusão ou na utopia.
Eu entendo que foi, previamente, Deus que o quis e, por isso, nada faltou: nem o sonho nem a obra.
Resta-me felicitar o sr. Administrador do blog, pela “primeira pedra”, diríamos, colocada na construção do projecto (assim concebo o seu alerta inicial para o que era necessário fazer), e agradecer à Comissão de restauro pela ousadia com que se lançaram neste sonho ambicioso e a todos os ofertantes, desde as entidades públicas, aos particulares, aos cidadãos anónimos. Todos podem ficar cientes de que gravaram, com a sua generosidade, letras de ouro na história deste povo.
Pe. Assunção
Quando fui convidado pelo sr. Administrador a colaborar neste blog, longe estava eu de pensar que ele iria ser o responsável pelas obras de restauro e conservação da capela da Póvoa. Tudo começou, porque um dia um amigo meu, professor do Liceu Latino Coelho-Lamego, o Dr. Giordano, entrou na capela com a sua máquina digital e não resistiu a tirar umas fotos, as primeiras que saíram no blog. Amante exímio da arte da fotografia e não menos da arte sacra, confidenciou-me passados uns dias que “era pena se não conservavam as pinturas do tecto, porque valiam bem uma intervenção e o mais rápido possível”.
Como me ofereceu essas fotos, resolvi também partilhá-las com os visitantes do blog. O sr. Jorge Venâncio, logo as apreciou criticamente e, num comentário de então, coincidiu na mesma observação: “Temos que salvar estas pinturas”. O povo da Póvoa reagiu favoravelmente, mas com algum cepticismo e temor, perfeitamente compreensíveis. Onde ir buscar o dinheiro para essa intervenção? E quem vai gerir as complexas burocracias que se antevêem para obras desta natureza? Aliás, a prudência não aconselhava aventuras sem fim à vista.
Surgem opiniões divergentes, mas todas à procura da melhor solução, o que gerou um debate salutar. Era preciso começar. E foi quando eu disse ao sr. Administrador: “Pode contar com o meu apoio, porque pela minha experiência, as obras de Igreja, depois de iniciadas, nunca ficaram por concluir. Há que começar, que o dinheiro aparecerá”. Depois, veio a escolha criteriosa da empresa especializada neste tipo de restauro, a autorização preciosa da Comissão de Arte Sacra Diocesana, a constituição atempada da Comissão de restauro e os donativos surpreendentes das mais diversas proveniências.
Em conclusão, foi uma obra de todos e para todos. Feliz o povo que assim se mobiliza. Não me cabe analisar sociologicamente a realização desta obra memorável. Mas não deixo de a enquadrar naquele tríptico verbal de Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Sim, porque amputar a primeira parte desta frase, seria elidir o sentido último das acções do ser humano, independentemente de ser cristão; omitir a segunda, seria desresponsabilizar o homem nas suas obrigações de programar o melhor para a humanidade; esperar que as obras nasçam sem intervenção de ninguém seria viver na ilusão ou na utopia.
Eu entendo que foi, previamente, Deus que o quis e, por isso, nada faltou: nem o sonho nem a obra.
Resta-me felicitar o sr. Administrador do blog, pela “primeira pedra”, diríamos, colocada na construção do projecto (assim concebo o seu alerta inicial para o que era necessário fazer), e agradecer à Comissão de restauro pela ousadia com que se lançaram neste sonho ambicioso e a todos os ofertantes, desde as entidades públicas, aos particulares, aos cidadãos anónimos. Todos podem ficar cientes de que gravaram, com a sua generosidade, letras de ouro na história deste povo.
Pe. Assunção
segunda-feira, dezembro 01, 2008
RESTAURO DA CAPELA (CONTAS FINAIS)
CONTAS FINAIS DAS OBRAS DA CAPELA DA PÓVOA
RECEITAS
-Em caixa ---------------------- 4.926,79€
-Comissão---------------------- 600,00
-Anónimo----------------------- 1.000,00
-Comissão---------------------- 2.235,00
-C. de festas de 2007--------- 2.973,10
-Comissão------------------------3.183,00
(inclui 2.041,00 da C. de Festas de 2006)
-Anónimo ------------------------2.000,00
-Comissão------------------------875,00
(inclui 50,00€ da D.ªLurdes)
-António Alves Pinto------------250,00
-Conselho Dir. dos Baldios---2.500,00
-Ofertas várias-------------------113,60
-Domingos Rasteiro-------------50,00
-Comissão-------------------------250,00
Ofertas várias---------------------69,73
-Comissão ------------------------260,00
TOTAL DE RECEITAS: 21.286,22€
DESPESAS
-Empresa Quadrifólio-------5.735,40€
(1.º pagamento)
- “ “ -------13.382,60
(2.ºpagamento)
(total da empresa:19.118,00 incluindo o IVA)
-António Faustino--------------500,00
(Reparação de estrutura do tecto)
-Electrificação-----------------1.140,00
-Colocação dos projectores---30,00
-Via Sacra------------------------295,00
TOTAL DE DESPESAS: 21.083,00
Saldo positivo de : 203,22€
Nota: A devolução do IVA, (21%) chegou 8 meses depois de ter sido pedida, quando já todos os pagamentos estavam feitos.
3.318,00€
Em caixa: 3.521,22€
V.ªNª de Souto d’El-Rei, 29 de Novembro de 2008
A Comissão de restauro
terça-feira, setembro 23, 2008
Rota da História
Teria com certeza mais de treze anos quando vi pela primeira vez um preto em pessoa; tendo visto até essa altura, somente várias representações imagéticas.
Até essa idade ouvia muitas vezes falar de pretos, principalmente a indivíduos regressados de missões católicas em África, que os descreviam não como pessoas, mas antes, como hoje se descrevem ou representam os marcianos; admitindo-se, quando muito, que fossem criaturas de algum animismo sincrético.
Diga-se de passagem, que sendo os missionários, nessa altura, dos poucos conhecedores da realidade africana, se compraziam de a relatar cá para os papalvos, apimentadamente recheada de vivências e peripécias sobre pessoas, deslocações, caçadas, safaris etc, absolutamente anedóticas.
Entendiam-se os costumes dos nativos não como objecto de culturas ancestrais, mas antes como instintivos hábitos selvagens muito próximos dos macacos, que era necessário submeter, ensinar, educar?... Ensinar, numa clara lógica de supremacia cultural e humanística da raça branca.
Num preto, todos os actos, gestos, costumes, rituais etc., eram risíveis. Riamo-nos dos relatos da sua indumentária, adornos, tatuagens, brincos argolas, guizos etc, colocados nos mais diversos sítios do corpo, por vezes e para tal, objecto de diversos furos e mutilações. Risíveis eram as suas formas de comer em grupo de um mesmo recipiente e directamente com as mãos, sem qualquer garfo ou colher.
Risíveis, também entre nós brancos, as homenagens festivas, expressas nas mais diversas danças, gestos e rituais, que os pretos prestam aos seus “maiores” (Homens grandes), chefes de aldeia, de concelho, de distrito, régulos, feiticeiros etc, a quem – supomos - veneram como ídolos. Como exemplo – remoto - desta forma colectiva de entender os pretos, lembro o vergonhoso facto histórico do aprisionamento e humilhação do Gungunhana.
No entanto, risível, risível, parece-me hoje a forma como os brancos assimilaram todos esses “bárbaros” costumes dos pretos.
Risível, parece-me hoje saber que há brancos com brincos chocalhos, argolas ou arganeis (pircings), colocados em todo o mapa corporal, inclusive orgãos sexuais e até nas bordas do cu?...
Risível, é que esta onda atravesse todos os estratos sociais, incluindo as “elites”. Curiosa e excepcionalmente, nunca vi nenhum militar padre ou bancário, com alguns destes penduricalhos presos às orelhas ou ao nariz, nem tão pouco, usando aquele exótico corte de cabelo tipo crista da galo.
Risíveis, parecem-me ainda as recepções a qualquer politicozeco, acompanhadas de fanfarra, banda, e tantas vezes com utilização das próprias criancinhas em encenações folclóricas, lançando a escada do “Olimpo”, a balofos e inúteis ídolos com pés de barro.
Entristece-me saber adulterada a língua pátria, com substituição do muito pelo bué, e apraz-me saber que os brancos ainda não comem a sopa com as mãos e directamente da panela, sem garfo nem colher.
Não é intenção deste artigo criticar no nosso povo a importação de tão exóticos costumes e artefactos, tanto mais que alguns até nos enriqueceram, principalmente no domínio da música e da dança, mas tão somente evidenciar através destes exemplos como anda a roda da história, praticando nós hoje os actos, que ontem eram objecto da nossa chacota.
Mudam-se os tempos, mudam-se os homens, mudam-se as vontades. Aquilo que ontem era, hoje já não é, e um dia voltará a ser.
Para onde vais mundo ?
Zé Macário
Teria com certeza mais de treze anos quando vi pela primeira vez um preto em pessoa; tendo visto até essa altura, somente várias representações imagéticas.
Até essa idade ouvia muitas vezes falar de pretos, principalmente a indivíduos regressados de missões católicas em África, que os descreviam não como pessoas, mas antes, como hoje se descrevem ou representam os marcianos; admitindo-se, quando muito, que fossem criaturas de algum animismo sincrético.
Diga-se de passagem, que sendo os missionários, nessa altura, dos poucos conhecedores da realidade africana, se compraziam de a relatar cá para os papalvos, apimentadamente recheada de vivências e peripécias sobre pessoas, deslocações, caçadas, safaris etc, absolutamente anedóticas.
Entendiam-se os costumes dos nativos não como objecto de culturas ancestrais, mas antes como instintivos hábitos selvagens muito próximos dos macacos, que era necessário submeter, ensinar, educar?... Ensinar, numa clara lógica de supremacia cultural e humanística da raça branca.
Num preto, todos os actos, gestos, costumes, rituais etc., eram risíveis. Riamo-nos dos relatos da sua indumentária, adornos, tatuagens, brincos argolas, guizos etc, colocados nos mais diversos sítios do corpo, por vezes e para tal, objecto de diversos furos e mutilações. Risíveis eram as suas formas de comer em grupo de um mesmo recipiente e directamente com as mãos, sem qualquer garfo ou colher.
Risíveis, também entre nós brancos, as homenagens festivas, expressas nas mais diversas danças, gestos e rituais, que os pretos prestam aos seus “maiores” (Homens grandes), chefes de aldeia, de concelho, de distrito, régulos, feiticeiros etc, a quem – supomos - veneram como ídolos. Como exemplo – remoto - desta forma colectiva de entender os pretos, lembro o vergonhoso facto histórico do aprisionamento e humilhação do Gungunhana.
No entanto, risível, risível, parece-me hoje a forma como os brancos assimilaram todos esses “bárbaros” costumes dos pretos.
Risível, parece-me hoje saber que há brancos com brincos chocalhos, argolas ou arganeis (pircings), colocados em todo o mapa corporal, inclusive orgãos sexuais e até nas bordas do cu?...
Risível, é que esta onda atravesse todos os estratos sociais, incluindo as “elites”. Curiosa e excepcionalmente, nunca vi nenhum militar padre ou bancário, com alguns destes penduricalhos presos às orelhas ou ao nariz, nem tão pouco, usando aquele exótico corte de cabelo tipo crista da galo.
Risíveis, parecem-me ainda as recepções a qualquer politicozeco, acompanhadas de fanfarra, banda, e tantas vezes com utilização das próprias criancinhas em encenações folclóricas, lançando a escada do “Olimpo”, a balofos e inúteis ídolos com pés de barro.
Entristece-me saber adulterada a língua pátria, com substituição do muito pelo bué, e apraz-me saber que os brancos ainda não comem a sopa com as mãos e directamente da panela, sem garfo nem colher.
Não é intenção deste artigo criticar no nosso povo a importação de tão exóticos costumes e artefactos, tanto mais que alguns até nos enriqueceram, principalmente no domínio da música e da dança, mas tão somente evidenciar através destes exemplos como anda a roda da história, praticando nós hoje os actos, que ontem eram objecto da nossa chacota.
Mudam-se os tempos, mudam-se os homens, mudam-se as vontades. Aquilo que ontem era, hoje já não é, e um dia voltará a ser.
Para onde vais mundo ?
Zé Macário
terça-feira, agosto 05, 2008
A PÓVOA
PASSADO,PRESENTE E FUTURO
I
Minha terra é tão linda
Num lugar tão pequenino
Onde passei minha infância
Nos meus tempos de menino
II
De tão pequena que é
E nunca mais aumentou
Dela saíu tanta gente
E mais pequena ficou
III
Esta terra pequenina
De tantas e sãs gerações
Que me trás sempre á lembrança
Tão gratas recordações
IV
Desde menino a adulto
Recordações de pasmar
É triste ver esta terra
Com tendências de acabar
V
Pouco ou nada se tem feito
Para ela melhorar
todos querem é ter proveito
Se ela o tiver para dar
VI
Que triste realidade
Com tristeza no olhar
Quando se olha e se vê
Quase tudo por cultivar
VII
Será que não vai mudar
Este desleixo abismal
Ver tanta terra inculta
Desde pego ao mial
Para não falar nas restantes
Que estão tal e qual
VIII
Eu falo de tudo isto
Pois são casos cruciais
Que antigamente se viam
Com tão lindos batatais
IX
Falando noutros terrenos
Sendo um caso mais banal
Onde então se cultivava
Noutro tempo o cereal
X
Estes terrenos então
E outros não referidos
Pois são para algumas famílias
Como terrenos perdidos
XI
Deixo-vos com estas quadras
E com vocês meditar
Vamos todos dar as mãos
Em conjunto trabalhar
Evitando deste modo
Da nossa terra acabar
José Venâncio
I
Minha terra é tão linda
Num lugar tão pequenino
Onde passei minha infância
Nos meus tempos de menino
II
De tão pequena que é
E nunca mais aumentou
Dela saíu tanta gente
E mais pequena ficou
III
Esta terra pequenina
De tantas e sãs gerações
Que me trás sempre á lembrança
Tão gratas recordações
IV
Desde menino a adulto
Recordações de pasmar
É triste ver esta terra
Com tendências de acabar
V
Pouco ou nada se tem feito
Para ela melhorar
todos querem é ter proveito
Se ela o tiver para dar
VI
Que triste realidade
Com tristeza no olhar
Quando se olha e se vê
Quase tudo por cultivar
VII
Será que não vai mudar
Este desleixo abismal
Ver tanta terra inculta
Desde pego ao mial
Para não falar nas restantes
Que estão tal e qual
VIII
Eu falo de tudo isto
Pois são casos cruciais
Que antigamente se viam
Com tão lindos batatais
IX
Falando noutros terrenos
Sendo um caso mais banal
Onde então se cultivava
Noutro tempo o cereal
X
Estes terrenos então
E outros não referidos
Pois são para algumas famílias
Como terrenos perdidos
XI
Deixo-vos com estas quadras
E com vocês meditar
Vamos todos dar as mãos
Em conjunto trabalhar
Evitando deste modo
Da nossa terra acabar
José Venâncio
sexta-feira, agosto 01, 2008
domingo, junho 08, 2008
OS REIS MAGOS-HISTÓRIA E FANTASIA
DIVULGANDO O PATRIMÓNIO ARTÍSTICO…
Sendo intemporal e não se confinando ao tempo natalício, vejamos o significado desta pintura da capela da Póvoa:

OS REIS MAGOS-HISTÓRIA E FANTASIA
Devemos aos magos a tradição de trocar presentes no Natal. Em vários países, a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de Janeiro e os próprios pais vestem-se de reis magos.
A descrição mais pormenorizada dos reis magos foi feita por S. Beda Venerável (673-735) que acerca deles refere o seguinte:
“Melchior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos e partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Envoltos numa densa simbologia, representavam os reis de todo o mundo, e simultaneamente as três raças humanas, em idades diferentes. O ouro entregue por Melchior é o reconhecimento da sua realeza; o incenso de Gaspar é em honra da sua divindade; e a mirra de Baltazar (resina antiséptica usada para embalsamar os corpos) representa a imortalidade e é o reconhecimento da humanidade de Jesus.
Para lá do evangelho de S. Mateus (Mt 2, 11) não existem outros documentos históricos para explicar a vinda destes reis magos, a adorar o Senhor. Esta narrativa cheia de poesia fala de uns magos e não de três. Aliás, nas catacumbas de Domitila (séc. IV), aparecem quatro, e em representações sírias e arménias, chegam a ser em número superior. A tradição fixou o número três, pela quantia dos presentes oferecidos. Talvez fossem astrólogos ou astrónomos, pois ao verem a estrela, seguiram-na até à região onde nascera Jesus, dito o Cristo. “E vendo a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo”(Mt 2, 10).
Quem não ficou nada satisfeito com a sua vinda, foi Herodes, porque temia tratar-se de um enredo político para o destronar. Esse seu modo de actuar é atestado por historiadores como Flávio Josefo, na sua obra “Antiguidades Judaicas”. Em paralelo com o texto de Mateus, o referido historiador judeu afirma que Herodes misturava-se por vezes, disfarçado, com a multidão para saber o que pensavam do seu reinado. Por isso, os magos no regresso, voltaram por outro caminho (Mt 2, 12).
Para lá da exegese, que vê nos magos o cumprimento da profecia “os reis de toda a terra hão-de adorá-Lo” (SL.71,11), todo o cristão, ao contemplar esta pintura, pode ver neles um resumo do evangelho e enriquecer a sua vida de fé, ao descodificar o significado eloquente das distintas dádivas. Seguir a estrela da fé, desinstalar-se do comodismo da indiferença religiosa, e pôr-se a caminho deste Deus que suscita a curiosidade dos sábios de todas as partes do mundo, eis o grande sinal para que nos aponta a visita dos reis magos.
Devemos aos magos a tradição de trocar presentes no Natal. Em vários países, a principal troca de presentes é feita não no Natal, mas no dia 6 de Janeiro e os próprios pais vestem-se de reis magos.
A descrição mais pormenorizada dos reis magos foi feita por S. Beda Venerável (673-735) que acerca deles refere o seguinte:
“Melchior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos e partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.
Envoltos numa densa simbologia, representavam os reis de todo o mundo, e simultaneamente as três raças humanas, em idades diferentes. O ouro entregue por Melchior é o reconhecimento da sua realeza; o incenso de Gaspar é em honra da sua divindade; e a mirra de Baltazar (resina antiséptica usada para embalsamar os corpos) representa a imortalidade e é o reconhecimento da humanidade de Jesus.
Para lá do evangelho de S. Mateus (Mt 2, 11) não existem outros documentos históricos para explicar a vinda destes reis magos, a adorar o Senhor. Esta narrativa cheia de poesia fala de uns magos e não de três. Aliás, nas catacumbas de Domitila (séc. IV), aparecem quatro, e em representações sírias e arménias, chegam a ser em número superior. A tradição fixou o número três, pela quantia dos presentes oferecidos. Talvez fossem astrólogos ou astrónomos, pois ao verem a estrela, seguiram-na até à região onde nascera Jesus, dito o Cristo. “E vendo a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo”(Mt 2, 10).
Quem não ficou nada satisfeito com a sua vinda, foi Herodes, porque temia tratar-se de um enredo político para o destronar. Esse seu modo de actuar é atestado por historiadores como Flávio Josefo, na sua obra “Antiguidades Judaicas”. Em paralelo com o texto de Mateus, o referido historiador judeu afirma que Herodes misturava-se por vezes, disfarçado, com a multidão para saber o que pensavam do seu reinado. Por isso, os magos no regresso, voltaram por outro caminho (Mt 2, 12).
Para lá da exegese, que vê nos magos o cumprimento da profecia “os reis de toda a terra hão-de adorá-Lo” (SL.71,11), todo o cristão, ao contemplar esta pintura, pode ver neles um resumo do evangelho e enriquecer a sua vida de fé, ao descodificar o significado eloquente das distintas dádivas. Seguir a estrela da fé, desinstalar-se do comodismo da indiferença religiosa, e pôr-se a caminho deste Deus que suscita a curiosidade dos sábios de todas as partes do mundo, eis o grande sinal para que nos aponta a visita dos reis magos.
Pe. Assunção
Nota: Esperamos muito em breve mostrar fotos do tecto já restaurado. Esta pintura foi fotografada ainda antes das obras de restauro. Por isso, apresenta fissuras e outros sinais de deterioração.
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Iniciado em 2005, este blogue cumpriu em parte, aquilo para que tinha sido inicialmente projetado. Com o decorrer do tempo e tal como n...
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Como prometido; embora com algum atraso, aqui vão algumas fotografias do local onde se pretende realizar o magusto . Pedimos desculpa pela q...